Política 16 de Mar de 2016 • 18:48

Sérgio Moro retira sigilo da Lava Jato e revela telefonema entre Dilma e Lula

Sérgio Moro retira sigilo da Lava Jato e revela telefonema entre Dilma e Lula

Foto: Ricardo Stuckert Filho/Instituto Lula

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos julgamentos da Operação Lava Jato, retirou o sigilo de interceptações telefônicas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em documento divulgado nesta quarta-feira (16), foram reveladas conversa gravadas pela Polícia Federal que incluem diálogo com a presidente Dilma Rousseff, que o nomeou como ministro chefe da Casa Civil.

Moro afirma, em despacho, que, "pelo teor dos diálogos gravados, constata-se que o ex-Presidente já sabia ou pelo menos desconfiava de que estaria sendo interceptado pela Polícia Federal, comprometendo a espontaneidade e a credibilidade de diversos dos diálogos". Ainda de acordo com o juiz, Lula parecia já saber das buscas que seriam feitas pela 24ª fase da Operação Lava Jato no início do mês.

Os investigadores da Lava Jato interpretaram o diálogo como uma tentativa de Dilma de evitar uma eventual prisão de Lula. Se houvesse um mandado do juiz, de acordo com essa interpretação, Lula mostraria o "termo de posse" como prova de que ele seria ministro e, em tese ficaria livre da prisão por ter foro privilegiado. 

Confira a conversa de Lula com Dilma
Dilma: Alô
Lula: Alô
Dilma: Lula, deixa eu te falar uma coisa.
Lula: Fala, querida. Ahn
Dilma: Seguinte, eu tô mandando o 'Bessias' junto com o papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?!
Lula:  Uhum. Tá bom, tá bom.
Dilma: Só isso, você espera aí que ele tá indo aí.
Lula: Tá bom, eu tô aqui, fico aguardando.
Dilma: Tá?!
Lula: Tá bom.
Dilma: Tchau.
Lula: Tchau, querida.

Ainda segundo Moro, em algumas conversas se fala, aparentemente, "em tentar influenciar ou obter auxílio de autoridades do Ministério Público ou da Magistratura em favor do ex-Presidente". Entretanto, o juiz ressalta que não indcícios de que as pessoas citadas tentaram, de fato agido de forma inapropriada, nem nos diálogos e nem fora delas.

"Em alguns casos, sequer há informação se a intenção em influenciar ou obter intervenção chegou a ser efetivada", ressalta Moro, que se refere a um caso da Ministra Rosa Weber do Supremo Tribunal Federal (STF), "provalvemente para obtenção de decisão favorável ao ex-Presidente na ACO 2822". Na ocasião, Weber negou pedido apresentado pela defesa do ex-presidente para suspender duas investigações sobre um triplex em Guarujá (SP) e um sítio em Atibaia (SP) ligados a ele. "A eminente Magistrada, além de conhecida por sua extrema honradez e retidão, denegou os pleitos da Defesa do ex-Presidente", afirmou Moro.

 

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