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Terça-feira, 26 de março de 2024

Política

Geddel Vieira Lima é preso pela Polícia Federal

O ex-ministro Geddel Vieira Lima foi preso pela Polícia Federal nesta segunda-feira (3). Segundo o jornal Folha de S. Paulo, que deu a notícia em primeira mão, a prisão aconteceu na Bahia. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), Geddel tentou atrapalhar investigações, ao agir para barrar a colaboração premiada do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do doleiro Lúcio Funaro, operador financeiro do PMDB. [Leia mais...]

Geddel Vieira Lima é preso pela Polícia Federal

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Por: Luiza Leão no dia 03 de julho de 2017 às 16:43

O ex-ministro Geddel Vieira Lima foi preso pela Polícia Federal nesta segunda-feira (3). Segundo o jornal Folha de S. Paulo, que deu a notícia em primeira mão, a prisão aconteceu na Bahia. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), Geddel tentou atrapalhar investigações, ao agir para barrar a colaboração premiada do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do doleiro Lúcio Funaro, operador financeiro do PMDB.

A prisão se baseia nos depoimentos de Funaro e nas delações premiadas do empresário Joesley Batista e do diretor jurídico do grupo J&F, Francisco de Assis e Silva, que citaram o nome do ex-ministro em operações criminosas. Funaro informou à Justiça que Geddel enviou mensagens entre maio e junho à sua esposa, e mostrou prints de um aplicativo de bate-papo.

No celular da esposa de Funaro, Geddel era identificado pelo codinome “Carainho”. Nas mensagens, o ex-ministro teria sondado a mulher do doleiro sobre a disposição dele em se tornar delator. De acordo com os investigadores, as mensagens seriam a prova de que Geddel continua tentando obstruir a Justiça.

Geddel é o principal investigado da Operação Cui Bono, fase da Operação Lava Jato deflagrada em janeiro deste ano. 

Leia a nota completa do MPF:

Em cumprimento a uma ordem judicial que atendeu a pedido da Polícia Federal e da Força-Tarefa Greenfield – que também é responsável pelas operações Sépsis e Cui Bono - , foi preso nesta segunda-feira (3), o ex-ministro Geddel Vieira Lima. A prisão é de caráter preventivo e tem como fundamento elementos reunidos a partir de informações fornecidas em depoimentos recentes do doleiro Lúcio Bolonha Funaro, do empresário Joesley Batista e do diretor jurídico do grupo J&F, Francisco de Assis e Silva, sendo os dois últimos, em acordo de colaboração premiada. No pedido enviado à Justiça, os autores afirmaram que o político tem agido para atrapalhar as investigações. O objetivo de Geddel seria evitar que o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e o próprio Lúcio Funaro firmem acordo de colaboração com o Ministério Público Federal (MPF). Para isso, tem atuado no sentido de assegurar que ambos recebam vantagens indevidas, além de “monitorar” o comportamento do doleiro para constrangê-lo a não fechar o acordo.

Na petição apresentada à Justiça, foram citadas mensagens enviadas recentemente (entre os meses de maio e junho) por Geddel à esposa de Lúcio Funaro. Para provar, tanto a existência desses contatos quanto a afirmação de que a iniciativa partiu do político, Funaro entregou à polícia cópias de diversas telas do aplicativo. Nas mensagens, o ex-ministro, identificado pelo codinome “carainho”, sonda a mulher do doleiro sobre a disposição dele em se tornar um colaborador do MPF. Para os investigadores, os novos elementos deixam claro que Geddel continua agindo para obstruir a apuração dos crimes e ainda reforçam o perfil de alguém que reitera na prática criminosa. Por isso, eles pediram a prisão “ como medida cautelar de proteção da ordem pública e da ordem econômica contra novos crimes em série que possam ser executados pelo investigado”.

Com a prisão de Geddel, passam a ser cinco os presos preventivos no âmbito das investigações da Operação Sépsis Cui Bono. Já estão detidos os ex-presidentes da Câmara, Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves, o doleiro Lúcio Funaro e André Luiz de Souza, todos apontados como integrantes da organização criminosa que agiu dentro da Caixa Econômica Federal (CEF). No caso de Cunha, Alves e Funaro, já existe uma ação penal em andamento. Os três são réus no processo que apurou o pagamento de propina em decorrência da liberação de recursos do FI-FGTS para a construção do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro. Além deles, respondem à ação, Alexandre Margoto e Fábio Cleto.