Bahia

Brasil perde disputa por esmeralda de US$ 373 milhões extraída na Bahia

Uma confusão envolvendo uma pedra preciosa extraída na Bahia foi parar na justiça dos Estados Unidos. Uma esmeralda bruta de 380 quilos, com valor estimado de US$ 373 milhões (R$ 1.154.770.700,00 na cotação mais atual do dólar), foi extraída de forma ilegal em Pindobaçu, cidade baiana a 414 km de Salvador, no ano de 2001. Apelidada de "esmeralda Bahia", ela foi exportada ilegalmente para a Califórnia pelo aeroporto de Viracopos, em Campinas, São Paulo, declarada como pedra asfáltica. [Leia mais...]

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Foto : Reprodução/IstoÉ

Por Bárbara Silveira e Matheus Simoni no dia 30 de Maio de 2015 ⋅ 19:00

Um juiz norte-americano decidiu que a esmeralda de 380 quilos descoberta na Bahia em 2001 deve ficar com o grupo americano. O governo brasileiro reivindicava a pedra como um tesouro nacional, mas perdeu a disputa na última semana. A confusão envolvendo uma pedra preciosa foi parar na justiça dos Estados Unidos.

A esmeralda bruta de 380 quilos, com valor estimado de US$ 373 milhões (R$ 1.154.770.700,00 na cotação mais atual do dólar), foi extraída de forma ilegal em Pindobaçu, cidade baiana a 414 km de Salvador, no ano de 2001. Apelidada de "esmeralda Bahia", ela foi exportada ilegalmente para a Califórnia pelo aeroporto de Viracopos, em Campinas, São Paulo, declarada como pedra asfáltica.

A polícia americana, porém, só soube da existência da esmeralda em 2008, quando Larry Biegler, comerciante de pedras preciosas, declarou que ela havia sido roubada do seu local de origem. O homem apontado como autor do crime, Kit Morrison, no entanto, afirmou ter adquirido a peça após uma transação de diamantes com Biegler não ter dado certo. Na ocasião, a esmeralda foi colocada como garantia  caso o negócio não fosse concretizado. 
 
Morrison é um dos presidentes do grupo FM Holdings, que comanda uma série de produtos industriais. Como não havia provas, o estado da Califórnia decidiu guardar o gigantesco item em um cofre em Los Angeles, onde permanece atualmente. Na última semana, um juiz da cidade californiana decidiu reabrir o caso para determinar o verdadeiro dono da pedra preciosa. No momento, apenas um grupo sobrou na disputa jurídica que corre há cerca de seis anos. Porém, o Brasil também tenta pôr as mãos na esmeralda desde 2011, quando foi notificado do roubo pelo Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos.
 
O governo brasileiro afirma que a extração e a exportação foram feitas de forma ilegal e negocia paralelamente com o governo americano uma solução para o caso. No ano passado, uma tentativa de interromper o julgamento terminou sem sucesso. "O Brasil respeita a corte da Califórnia, mas nossa visão é que a posse é um caso de relações internacionais. Independentemente da decisão do juiz, o Brasil vai continuar perseguindo seu direito à pedra", afirmou o advogado americano John Nadolenco, representante do Brasil, ao jornal Folha de S. Paulo. "Só vi a pedra por fotos, o xerife [chefe da polícia local] não dá acesso a ninguém. Nunca vi caso igual, mas estamos animados de bancar o Indiana Jones", brincou.

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