Bahia

Após aumento da passagem, transporte metropolitano segue precário

O aumento de 8,92% na tarifa do transporte metropolitano, que passou a vigorar na segunda (20), causou indignação em boa parte dos 8 milhões de usuários do sistema nas cidades de Lauro de Freitas, Camaçari, Dias D’Avila e Simões Filho. A reportagem do Jornal da Metrópole esteve em Simões Filho na terça (21) [Leia mais...]

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Foto : Tácio Moreira/Metropress

Por Matheus Morais no dia 26 de Julho de 2015 ⋅ 08:30

O aumento de 8,92% na tarifa do transporte metropolitano, que passou a vigorar na segunda (20), causou indignação em boa parte dos 8 milhões de usuários do sistema nas cidades de Lauro de Freitas, Camaçari, Dias D’Avila e Simões Filho. A reportagem do Jornal da Metrópole esteve em Simões Filho na terça (21) e constatou as péssimas condições do sistema: coletivos e pontos de ônibus em estado precário, com danos nas coberturas, nos assentos, além de lixo por todo lado.
E o aumento não foi pequeno: os moradores de Simões Filho que utilizam os serviços da Expresso Metropolitano e antes pagavam R$ 2,80 até o Terminal da França, agora terão que desembolsar R$ 3,10. Caso a viagem, que antes custava R$ 3,35,  for até o bairro do Itaigara, sairá pela bagatela de R$ 3,70.
Preocupado com o reajuste, o comerciante conhecido como Silvio da Farinha definiu a medida como “fora de propósito”. “A gente depende de ônibus e não tem nenhum tipo de conforto nos coletivos, além da falta de segurança. Os motoristas também não cumprem os horários e não param nos pontos. Primeiro eles deveriam oferecer melhorias nos veículos, para depois cobrarem mais”, criticou.
 
A Frota é velha e sem conforto e os pontos são perigosos: que aumento é esse?
O estudante Edson de Jesus, que mora em Candeias e estuda em Simões Filho, disse que o reajuste o pegou de surpresa. “Achei um absurdo. Quem não estava preparado para esse aumento foi pego de surpresa — eu, por exemplo. Além disso, a frota de ônibus é velha e não oferece nenhum tipo de conforto. Muitos ônibus estão faltando bancos, as janelas estão quebradas. Isso é muito ruim”, disse, em entrevista ao Jornal da Metrópole.
Já a empregada doméstica Rosângela Santos, moradora de Simões Filho, reclama da falta de policiamento nos pontos de ônibus da cidade. “Nesse ponto mesmo do Mercado Municipal, quando dá 18h, ninguém quer ficar mais, porque os ladrões se escondem dentro do mercado para roubar. Muitos são usuários de drogas, a gente tem medo. A Polícia precisa fazer ronda nesses pontos urgentemente”, afirmou.
 
Agerba promete renovar toda a frota
O diretor da Agerba, Eduardo Pessoa, prometeu melhorias na frota. “Esta semana, entregamos 26 novos veículos à empresa que faz a linha de Candeias e Dias D’Avila. Faremos a renovação gradativamente”, ressaltou.
Pessoa disse que entende a revolta da população, mas que a tendência é que o serviço melhore: “Ninguém se satisfaz em pagar mais. Temos conhecimento da deficiência, mas agora que houve o aumento, teremos condições de melhorar”.
 
Metrópole acompanha
Há quatro meses, na edição de 19 de março, o Jornal da Metrópole denunciou a baixa quantidade de ônibus que servia a cidade de Simões Filho. Na época, até mesmo o coordenador da Agerba, Ab-dul Ramid, espantou-se com o número destinado ao município.
“Realmente, tem muita alteração aos domingos. Reduz bastante mesmo, viu? Por exemplo, na linha Simões Filho-Lapa, aos domingos só tem 6h, 9h30, 13h e 16h. Nós temos 16 horários [durante a semana]. Reduziram para quatro”, disse. 
“Temos três empresas que operam na localidade de Simões Filho: a Expresso Metropolitano, a Litoral Norte e a Viação Sol de Abrantes. Temos 524 horários [semanais] partindo de Simões Filho em 24 linhas”, afirmou. Nada mudou de lá pra cá — exceto o preço da passagem.

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