Bahia

\"Tentei salvar todos\", diz comandante de lancha que virou em Mar Grande

O comandante da embarcação Cavalo Marinho I, Osvaldo Barreto, de 52 anos, se pronunciou após a tragédia que vitimou 19 pessoas em Mar Grande, na Baía de Todos-os-Santos, na última quinta-feira (24). Em entrevista à TV Bahia, ele conta que não consegue mais dormir e tem recebido apoio de familiares. \"Não quero que ninguém passe por isso, nem meu pior inimigo\" [Leia mais...]

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Foto : Alberto Maraux/SSP

Por Matheus Simoni no dia 29 de Agosto de 2017 ⋅ 09:26

O comandante da embarcação Cavalo Marinho I, Osvaldo Barreto, de 52 anos, se pronunciou após a tragédia que vitimou 19 pessoas em Mar Grande, na Baía de Todos-os-Santos, na última quinta-feira (24). Em entrevista à TV Bahia, ele conta que não consegue mais dormir e tem recebido apoio de familiares. \"Não quero que ninguém passe por isso, nem meu pior inimigo. Não estou querendo me esconder, mas não consigo sair de casa, não ligo a televisão para não ficar lembrando dessa tragédia, só consigo dormir o dia inteiro. Eu só estou aguentando tudo isso porque minha família é muito unida e todos estão me ajudando\", afirmou.

Comandante de embarcações há 21 anos, Barreto detalhou o que ocorreu no acidente e afirmou que tentou salvar o máximo de vidas durante a tragédia.\"Depois que saímos de Mar Grande que começou a chover muito, ventou muito, o tempo fechou, mas a gente já estava na altura do banco de areia e não dava mais para voltar. Começou a molhar por cima de uma frecha da lona que já estava para baixo para não molhar os passageiros. Boa parte dos passageiros foi para o lado da embarcação, foi quando a onda bateu e o barco virou. Senti que ia virar e disse: \"vai virar, vai virar Jorginho[outro tripulante]\". A lancha não virou totalmente, ela ficou assim, deitada. Foi tudo muito rápido\", relatou.

Barreto disse que já tinha enfrentado o mar em situações climáticas semelhantes à do dia do acidente, mas não teve complicações durante a travessia. \"Foi uma coisa que nunca vi antes. Do nada, o tempo estava navegável, e dentro de segundos, a gente viu a vida de muita gente, e quase a minha também, se perder\", disse ele na entrevista.

Ele ainda relatou que, após o naufrágio, encontrou dificuldade ao pedir ajuda a outras embarcações próximas por conta do mau tempo. \"Quando a embarcação virou, eu mergulhei por baixo da porta do comando e consegui sair. Voltei para dentro da embarcação. Depois o teto da lancha se soltou e ajudei algumas pessoas a ficarem no teto, e orientei para que não saíssem de lá aguardando o socorro. Subi no teto da embarcação e fiquei acenando com os braços, mas estava chovendo e a visibilidade era pouca para quem estava na ponte. Além disso, a força da maré, levou a gente para longe da rota das outras embarcações. Ficamos distante uns 300 metros do local onde as outras embarcações passam\", relatou. \"Tentei. Salvei muitas vidas, mas infelizmente não consegui salvar todas.\"

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