Bahia

Escritor alerta para ‘renúncia à liberdade’ em voto para candidato com ‘discurso da tortura’

“Eu acho que é um desconhecimento enorme [apoiar quem prega a volta da ditadura]”, adverte Paulo Pontes

[Escritor alerta para ‘renúncia à liberdade’ em voto para candidato com ‘discurso da tortura’]
Foto : Tácio Moreira / Metropress

Por Alexandre Galvão no dia 24 de Setembro de 2018 ⋅ 12:30

Professor, ex-preso político e agora escritor, Paulo Pontes alertou, em entrevista à Rádio Metrópole, para uma possível “renúncia à liberdade” caso um candidato com “discurso da tortura” vença a eleição presidencial desse ano. 

Em entrevista a Mário Kertész, na Rádio Metrópole, ele lembrou dos anos em que ficou preso por conta da repressão da ditadura militar e falou também do livro que vai lançar amanhã (24), na Reitoria da Ufba, às 5h da tarde.

“Eu acho que é um desconhecimento enorme [apoiar quem prega a volta da ditadura]. Se olharem o discurso, sublinharem, eles [os apoiadores] perderiam o emprego. Não se fala em educação. Tem muita gente que não sabe o que aconteceria consigo se acontecesse isso [a eleição de um candidato com discurso pró-ditadura]. Não creio que existe possibilidade de ele ganhar. No segundo turno, qualquer um ganha, a menos que as pessoas queiram renunciar à sua liberdade”, analisou.

Participante da luta armada nos anos de governo militar, ele refletiu sobre a possibilidade de volta do movimento. “Se houver uma ditadura no Brasil e as pessoas protestarem, levarem porrada, é para não ter luta armada ainda assim? A luta armada não foi uma escolha”, declarou.
 
Pontes ficou preso por quase nove anos. Ele contou que foi detido após uma emboscada da Polícia Federal. Na confusão, um agente morreu e um colega conseguiu fugir. “Me perguntam o motivo de eu não ter sido morto. E eu sei? Eu não ia me matar”, lembrou. 

O tempo preso, conta ele, foi de muita tortura e horror. “Fui condenado à prisão perpétua. A nossa chegada na Polícia Federal, em 1970, o motorista gritava ‘eu estou atirando’. Isso nunca saiu da minha cabeça. Ele falou ainda: ‘mataram Xavier’. Saímos do carro e já levando porrada de todo lado. Foi brutalidade do mais alto grau. Na noite seguinte foi pior ainda. A brutalidade dói, mas passa. Chamaram o coronel Luiz Artur. Ele era comandante da Polícia Federal e fazia um negócio que chamava de tortura científica. Era pau de arara, choque…”, lembra. 

Após deixar a prisão, em 2 de junho de 1979, Pontes disse que não demorou muito a voltar para a política. “Fui solto, fui estudar economia e tentar arrumar emprego, reorganizar a vida. Menos de um mês depois eu estava na rua, riscando muro, fazendo discurso pela anistia. Eu disse: ‘Olhe, uma coisa que tenho certeza é que quem ficou preso tem que ser solto’”, conta. 

No livro, Paulo Pontes relata ainda passagens de sua vida, como o assalto ao Banco da Bahia e de como entrou na vida clandestina. “Como participávamos de ação armada, eu participei do assalto ao Banco da Bahia, na Liberdade. Houve tiroteio, mas saímos todos bem. A maior parte do dinheiro ficou na calçada. Uma parte mínima colocamos no carro”, narra.

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