Bahia

Lavradores fogem de trabalho degradante e são resgatados no sul do estado

Trabalhadores receberam promessa de ganhar R$100 por dia, mas só ganhavam entreR$ 20 e R$ 50 e tinham que arcar com custos como as despesas de aluguel, água e energia da casa que serviu de alojamento

[Lavradores fogem de trabalho degradante e são resgatados no sul do estado]
Foto : Portal Brasil

Por Juliana Almirante no dia 18 de Julho de 2019 ⋅ 09:20

Dezoito trabalhadores rurais fugiram do município de Boa Esperança, no Espírito Santo, após serem submetidos a condições de trabalho degradante e foram resgatados em Teixeira de Freitas, no extremo sul da Bahia, de acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT) na Bahia.

O grupo viajava de volta para o município de Piranhas, interior alagoano, em uma van clandestina que foi parada pela Polícia Rodoviária Federal. Eles alegaram ter sido enganados por um homem que prometeu trabalho e estavam retornando para casa sem dinheiro e contando com a ajuda de terceiros.

Os policiais levaram o grupo até o município de Eunápolis para que o MPT  tomasse seus depoimentos e providenciasse transporte regular para a cidade de origem dos trabalhadores.

O caso será remetido para a unidade do MPT no estado do Espírito Santo com indicação para que, a partir dos elementos colhidos nos depoimentos, sejam identificados o homem que recrutou os lavradores sob falsa promessa de trabalho bem remunerado e as fazendas que se utilizaram dessa mão de obra.

Os trabalhadores contam que foram recrutados em Piranhas (AL) por um homem oferecendo trabalho na colheita de café, com diárias que poderiam chegar a R$100. Ao chegar a Boa Esperança, foram alojados em uma casa sem condições mínimas de higiene e sem mobiliário, mas as promessas não se confirmaram e os rendimentos pelos trabalhos que fizeram ficavam entre R$ 20 e R$ 50 por dia.

Tanto as ferramentas usadas no trabalho quanto a comida que consumiam eram pagas pelos próprios trabalhadores. Eles também tiveram que arcar com os custos da viagem de ida e não tiveram registro da relação de trabalho nas carteiras profissionais. Até mesmo as despesas de aluguel, água e energia da casa que serviu de alojamento para o grupo ficavam por conta dos trabalhadores.

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