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Lava Jato: Odebrecht tinha estrutura profissional de propina, afirma MPF

Com foco na empreiteira Odebrecht, a Polícia Federal afirmou nesta segunda-feira (21), quea empresa, investigada na Operação Lava Jato, mantinha uma estrutura profissional de pagamento de propina em dinheiro, no Brasil. [Leia mais...]

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Foto : Reprodução / G1

Por Matheus Morais no dia 22 de Março de 2016 ⋅ 12:36

Com foco na empreiteira Odebrecht, a Polícia Federal afirmou nesta segunda-feira (21), que  a empresa, investigada na Operação Lava Jato, mantinha uma estrutura profissional de pagamento de propina em dinheiro, no Brasil. Segundo a força-tarefa da Lava Jato, funcionários da Odebrecht se dedicavam a uma espécie de contabilidade paralela que visava pagamentos ilícitos. Os pagamentos feitos estão atrelados a diversas obras e serviços federais e também a governos estaduais e municipais, de acordo com o Ministério Público Federal. Segundo o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, uma das obras é a construção da Arena Corinthians.

“Se chegou a observar R$ 9 milhões de um dia para outro em dinheiro em espécie”, disse a procuradora do Ministério Público Federal (MPF) Laura Gonçalves Tesser. Estima-se que, ao menos, R$ 66 milhões em propina foi distribuído entre 25 a 30 pessoas. Este valor, segundo a Polícia Federal (PF), estava disponível em apenas uma das contas identificada como pertecente à contabilidade paralela da empresa.

Ainda de acordo com informações do MPF, 14 executivos de outros setores da Odebrecht que demandavam os “pagamentos paralelos”, encaminhavam aos funcionários as solicitações de pagamentos ilícitos, de forma que a contabilidade paralela e a entrega dos valores espúrios ficassem centralizadas nessa estrutura específica.

As investigações mostram que funcionários foram transferidos para o exterior não apenas para fugir das investigações, mas também para viabilizar a continuação desse sistema ilícito.

Alguns executivos requisitavam ainda  pagamentos a codinomes e encaminhavam ao superiores, que os autorizavam. "Havia um procedimento a ser seguido para esses pagamentos paralelos", disse a delegada Renata Rodrigues. Segundo o delegado da Polícia Federal Márcio Adriano Anselmo, as entregas de dinheiro, algumas no valor de R$ 1 milhão, eram feitas em flats.

O MPF informou que a funcionária da Odebrecht Maria Lúcia Guimarães Tavares, presa na 23ª fase da Operação Lava Jato, firmou acordo de delação premiada neste mês. Maria Lúcia gerenciava a contabilidade paralela da Odebrecht, destinada ao pagamento de propina. Ela atuava como secretária dos executivos da empresa. Segundo a PF, Maria Lúcia era responsável pela entrega de “vultosos recursos em espécie. 

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