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Para impedir impeachment, Lula aposta em coalizão com parte do PMDB

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse, durante entrevista à mídia internacional nesta segunda-feira (28), que é uma "certa tristeza" a possibilidade do PMDB deixar a base aliada do governo. Para Lula, ainda é possível um acordo que mantenha parte da legenda - a maior da base de apoio à Dilma Rousseff - alinhada ao Palácio do Planalto [Leia mais...]

[Para impedir impeachment, Lula aposta em coalizão com parte do PMDB]
Foto : Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

Por Alaine Brasil no dia 28 de Março de 2016 ⋅ 17:48

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse, durante entrevista à mídia internacional nesta segunda-feira (28), que é uma "certa tristeza" a possibilidade do PMDB deixar a base aliada do governo. Para Lula, ainda é possível um acordo que mantenha parte da legenda - a maior da base de apoio à Dilma Rousseff - alinhada ao Palácio do Planalto.

Na próxima terça-feira (29), o PMDB decidirá sobre a permanência na base de apoio do governo Dilma Rousseff (PT). A sigla, presidida pelo vice-presidente da República, Michel Temer, marcou para às 15h da tarde, a votação sobre a permanência no governo. A eleição será realizada em um dos plenários da Câmara dos Deputados e pode mudar a condução dos trabalhos no Planalto e no Congresso. Segundo Lula, o governo poderá buscar uma coalizão com parte do PMDB para ajudar a barrar o impeachment contra Dilma.

"Acho que vai acontecer o que aconteceu em 2003. O governo vai construir uma base parlamentar com o PMDB e vamos ter uma espécie de coalizão sem a concordância da direção", afirmou. "Quando ganhei as eleições, em 2003, em um primeiro momento o PMDB não me apoiou. Mas uma parte da legenda no Senado me apoiava e nós conseguimos governar."

De acordo com o ex-presidente, no segundo mandato houve um acordo com a legenda e, teoricamente, o partido decidiu apoiá-lo. "Ainda assim a gente nunca teve todo o apoio de todo o PMDB. Em vários estados o partido não quis apoiar o governo", disse. Para ele, caso a legenda saia do governo Dilma, "os ministros não deixarão o governo". A entrevista foi dada a 24 correspondentes de veículos estrangeiros como New York Times, El País e de agências de notícias como Reuters, AP, Efe e France Presse.

Na ocasião, Lula também falou sobre o juiz Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato. O ex-presidente afirmou que o magistrado "é inteligente e competente, mas foi picado pela mosca azul". A expressão diz respeito a pessoas deslumbradas com o poder.

O ex-presidente refere-se à divulgação de suas conversas com Dilma Rousseff, aliados e familiares como uma situação "deprimente, pobre e de má fé". "O juiz, por mais que seja juiz, não foi correto ao fazer a divulgação de coisas privadas. Não contribui com a democracia", frisou. "Quero ter o mesmo tratamento que todo mundo. O excesso pode levá-lo a cometer erros. O juiz deve ser respeitado por todos, não pode ter um lado."

Durante a entrevista, Lula voltou a defender a presidente Dilma e criticou os apoiadores do impeachment da presidente. "Impeachment sem base legal, sem crime de responsabilidade, é golpe", afirmou aos jornalistas. "É muito importante não brincar com a democracia."

Os críticos do pedido de impedimento da presidente dizem que as manobras fiscais, conhecidas como "pedaladas", não são o bastante para configurar crime de responsabilidade. Lula acusou também a oposição de impedir que a presidente governe e a mídia de criar um clima de ódio no país, que ele comparou com a situação vivida na Venezuela.

Lula, que ainda não pode assumir como ministro da Casa Civil por conta de uma batalha judicial, afirmou que quer participar das decisões do governo da presidente, mesmo que seja na condição de conselheiro. Ele disse ter convicção de que pode contribuir com o Brasil e acredita ser possível mudar o humor do país em poucos meses.

Ele afirmou também que o governo federal precisa fazer desonerações e adotar outras medidas para que a economia brasileira possa voltar a crescer, apostando no potencial do mercado interno do país.

 

 

 

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