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Wagner Moura reclama de boicote à seu filme sobre Carlos Marighella

O ator baiano Wagner Moura afirmou em entrevista ao portal UOL que está tendo dificuldades para financiar sua estreia como diretor, a cinebiografia de Carlos Marighella. [Leia mais...]

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Foto : Tácio Moreira/ Metropress

Por Matheus Morais no dia 17 de Setembro de 2016 ⋅ 12:12

O ator baiano Wagner Moura afirmou em entrevista ao portal UOL que está tendo dificuldades para financiar sua estreia como diretor, a cinebiografia de Carlos Marighella. De acordo com Moura, que não revelou nomes, empresas estão rejeitando apoiar um filme de um político e guerrilheiro de esquerda, que em 1969 foi morto pela ditadura militar. A atitude é vista como represália, já que o baiano é tido como um dos artistas brasileiros mais relevantes a se posicionar abertamente contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

"Já recebemos e-mails de que não iriam apoiar um filme meu, ainda mais sobre alguém como o Mariguella, um 'terrorista'", disse Moura. Inspirado no livro de "Marighella - O guerrilheiro que incendiou o mundo", de Mario Magalhães, o filme será produzido em parceria com a O2 Filmes, do cineasta Fernando Meirelles.

"Esse projeto vem até antes de toda discussão do impeachment", diz o ator. "A vontade vem desde o quando Mario lançou o livro. Senti muito interesse pela figura do Marighella, baiano como eu. Um sujeito que escapa um pouco à figura do guerrilheiro clássico Che Guevara.", completou. 


Sobre os mecanismos de incentivo ao cinema, Wagner Moura disse ser totalmente à favor deles. Para o ator, não haveria sétima arte no Brasil desde a retomada sem esse tipo de financiamento. Na opinião dele, as críticas de que estaria "mamando" em dinheiro público são tanto fruto tanto do momento atual, de extrema polarização política, quanto de um tipo de narrativa, que muitas vezes descamba para a "canalhice".
Como exemplo, ele usou as campanhas que alguns jornalistas e figuras públicas empreendem pedindo o boicote a artistas favoráveis a Dilma Rousseff. "Esses caras que fazem isso não são tão ignorantes quanto parecem ser nos textos que escrevem", entende.


"Se você coloca seu projeto para ser avaliado Ministério da Cultura e ele é aprovado, não quer dizer que você vai ter esse dinheiro. Você tem que mendigar. Inclusive, de uma forma distorcida. A Lei Rouanet é uma lei neoliberal, que deixa para as empresas a aplicação de dinheiro público. As críticas que fazem à lei são por motivos errados."

 

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