Brasil

"O samba tem o pé forte na Bahia", ressalta escritor de trilogia musical

Após o sucesso da trilogia que conta a trajetória do ex-presidente da República Getúlio Vargas, o escritor Lira Neto mergulha em outro desafio, desta vez sobre o samba. No primeiro volume, batizado de "Uma História do Samba: As Origens", da editora Companhia das Letras, ele fala sobre o nascimento do estilo musical. [Leia mais...]

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Foto : Tácio Moreira/ Metropress

Por Matheus Morais no dia 06 de Março de 2017 ⋅ 09:22

Após o sucesso da trilogia que conta a trajetória do ex-presidente da República Getúlio Vargas, o escritor Lira Neto mergulha em outro desafio, desta vez sobre o samba. No primeiro volume, batizado de "Uma História do Samba: As Origens", da editora Companhia das Letras, ele fala sobre o nascimento do estilo musical. Em entrevista à Rádio Metrópole, na manhã desta segunda-feira (6), o escritor cearense ressaltou que não pretende discutir amenidades sobre o samba

"Eu acho uma discussão bizantina ficar querendo saber se o samba nasceu no morro ou no asfalto. O samba foi sendo criado ao longo do tempo, o samba tem o pé forte na Bahia. A Bahia está muito presente nesse primeiro volume da história do samba, a matriz do samba é africana, a pulsação do samba é africana. Quando eles vêm com escravos e chegam ao Brasil, o samba ganha influências modernas. O samba rural do recôncavo, tudo isso entra nessa matriz étnica marcada. 90 e tantos por cento dos sambistas daquele época tinham passagens pela polícia, eles eram tidos como vagabundos", disse. 

"Depois surge a lei da vadiagem, que pune as pessoas consideradas vagabundas. Havia naquele momento uma politica urbana contra os negros e os pobres, que eram tirados das paisagens e iam morar na encostas, o que acaba dando origem às favelas. O primeiro volume fala dessa violência urbana também", completou. 

Na oportunidade, Lira Neto questionou a primazia de "Pelo Telefone", composta por Donga.  "Ele fez o samba em 1917, eu questiono a primazia dele como primeiro samba, porque a música é mais um maxixe. Essa música fez o maior sucesso, abriu caminho para uma série de composições populares. O samba não tem um inventor, é uma obra coletiva, do povo, é mais rico pensar no samba como construção coletiva. Assim é mais rico. Eu entendo que o samba é mais uma construção coletiva. Eu pretendo lançar no próximo ano o segundo volume, que pega de 1930 até 1945, quando o samba se torna um ritmo hegemônico. Vou mostrar o samba exaltação e suas implicações políticas", analisou. 

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