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Ministério da Saúde exonera diretora do Departamento de HIV/Aids

Adele Benzaken estava no cargo desde 2016; saída do cargo acontece após polêmica com cartilha voltada a pessoas trans

[Ministério da Saúde exonera diretora do Departamento de HIV/Aids]
Foto : Elza Fiúza / Agência Brasil

Por Juliana Rodrigues no dia 11 de Janeiro de 2019 ⋅ 08:20

A médica sanitarista Adele Benzaken foi exonerada, ontem (10), da direção do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das ISTs, do HIV e Hepatites Virais do Ministério da Saúde. A decisão foi tomada em meio a uma série de manifestações pela permanência da médica no cargo e uma semana depois da polêmica da cartilha para homens trans, lançada há seis meses, que foi retirada do site da pasta. O diretor adjunto, Gerson Pereira, assume o comando do departamento.

De acordo com o Ministério da Saúde, a mudança acontece devido a uma renovação da equipe e Adele foi convidada para continuar a contribuir para a formulação de políticas para o setor. Adele assumiu o cargo em 2016. Em sua gestão, o País começou a adotar a profilaxia pré-exposição (PrEP), que prevê o uso de antirretrovirais não como tratamento do HIV, mas para prevenir a infecção.

Amplamente apoiada por organizações não governamentais, a permanência de Adele era considerada como uma garantia da manutenção de ações modernas de prevenção, de combate ao preconceito e de promoção dos direitos humanos.

Os primeiros sinais de que a gestão de Adele estava sob risco começaram ainda antes da posse do presidente Jair Bolsonaro. Em entrevista à Folha de S. Paulo, o então futuro ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, mostrou descontentamento com as ações de prevenção e disse ser necessária a adoção de estratégias que não "ofendessem" as famílias.

A suspeita se intensificou após a suspensão da cartilha voltada para homens trans, que estava no ar havia seis meses. A justificativa oficial para a retirada foi de que haviam sido identificadas "falhas" no material.

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