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Sem acreditar em punição, 60% de menores infratores retornam para Fundação

Em entrevista à Rádio Metrópole, na manhã desta sexta-feira (22), promotora da Infância e Juventude do Ministério Público de São Paulo, Daniela Hashimoto falou, que os adolescentes voltam a cometer infrações em, pelo menos, quatro meses e 60% deles voltam para a Fundação. [Leia mais...]

[Sem acreditar em punição, 60% de menores infratores retornam para Fundação]
Foto : Reprodução / Nair Benedicto

Por Camila Tíssia e Matheus Morais no dia 22 de Janeiro de 2016 ⋅ 08:57

A violência cerca a vida de milhares de jovens brasileiros e a superlotação dos centros que atendem os adolescentes é um problema que afeta o país. Um estudo inédito foi feito recentemente, em São Paulo, dentro de um inquérito civil, para obrigar a Fundação Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente (Fundação Casa) a realizar uma dilegência para implantar um programa de acompanhamento dos egressos, que é previsto pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), mas ainda não existe, no estado. 

Em entrevista à Rádio Metrópole, na manhã desta sexta-feira (22), promotora da Infância e Juventude do Ministério Público de São Paulo, Daniela Hashimoto falou, que os adolescentes voltam a cometer infrações em, pelo menos, quatro meses e 60% deles voltam para a Fundação. "Ao contrário do que eles propagam, 38% voltam a cometer infrações, tanto maiores quanto menores.  Entre os adultos, demoraram 7, 8 meses para voltar a infracionar, mesmo assim 67% voltam a infracionar. Isso traz um perfil que os adolescentes acreditam que o atendimo na Casa não é tão rigoroso e voltam mais rápido a infracionar", afirmou.

Daniela disse também que o atendimento da Fundação está a desejar. "Hoje temos um déficit de 4.500 vagas em falta, e a própria fundação reconhece, mas não toma providências. Os profissionais que atendem os internos deveriam atender a um determinado número de adolescentes, e isso acaba refletindo no processo de ressocialização”, explicou.

Hashimoto ressaltou, ainda, que além dos poucos trabalhadores na casa, os profissionais não são substituidos nas férias. “Em unidades, quando um profisisonal está de férias, não há reposição desses profissionais. Alguns funcionários dizem que a Casa precisa liberar adolescentes para abrir vagas. A sociedade fica afestada com isso, porque adolescentes são liberados e voltam a cometer infrações”. 

A promotora acredita que a sensação de impunidade nos jovens são provenientes do pouco tempo que passam nas fundações. "Em São paulo, adolescentes praticam assalto a mão ramadas e não são levados, são liberados. Quando são levados para, ficam 6 meses e são liberados. Na verdade, pelo que nós vimos o ano passado, o debate sobre a maioriodade penal vem sendo tratado na questão político ideologico, nenhum debate teve uma qualidade de pesquisa e análise de convencimento efetivo, com base em pesquisas mesmo. Eu não consigo entender o raciocínio jurídico de que o adolescente que comete um crime não é responsável penal. Ao meu ver, faltou aprofundamento científico e de pesquisa", completou. 
 

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