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Exclusividade para Schin no Carnaval funciona, mas público queria outra marca

Na última quarta-feira (3), 2 milhões de foliões tomaram conta dos sete circuitos para fazer o Carnaval 2016. Mas baianos e turistas já sabem: por conta do volumoso patrocínio firmado entre a Prefeitura de Salvador e a empresa Brasil Kirin, somente a cerveja Schin pôde ser comercializada. [Leia mais...]

[Exclusividade para Schin no Carnaval funciona, mas público queria outra marca]
Foto : Tácio Moreira/Metropress

Por Bárbara Silveira e Camila Tíssia no dia 11 de Fevereiro de 2016 ⋅ 06:00

Na última quarta-feira (3), 2 milhões de foliões tomaram conta dos sete circuitos para fazer o Carnaval 2016. Mas baianos e turistas já sabem: por conta do volumoso patrocínio firmado entre a Prefeitura de Salvador e a empresa Brasil Kirin, somente a cerveja Schin pôde ser comercializada. O problema é que a popularidade da marca não é das maiores por aqui — sobretudo no Carnaval.
 
Desde 2014, o município firmou acordo com a cervejaria para a captação de verba e, em três anos de parceria, a empresa investiu R$ 100 milhões na festa. “Muitas pessoas criticaram a Schin e o modelo que adotamos, mas ela foi parceira da cidade ao acreditar na festa e investir R$ 25 milhões em 2016”, disse o prefeito ACM Neto durante coletiva do balanço do Carnaval, realizada na última quarta-feira (10).
 
É fato que, do ponto de vista econômico, o modelo de parceria firmado pela Prefeitura é um sucesso. Ganha a cidade e ganham os cofres públicos. Mas, sobre a marca, o povo continua um tanto resistente — e provavelmente haveria descontentes se a cerveja fosse outra. “A gente acaba recorrendo ao povo que está vendendo clandestinamente. Eu saio procurando, ou dentro do circuito ou então fora”, conta a estudante Larissa Oliveira, de 18 anos.
 
Ela não foi a única: apesar da intensa fiscalização da Prefeitura, não foi difícil achar ambulantes que vendiam bebidas de outras marcas dentro da área proibida.
 
“O povo pede, a gente vende”

Insatisfeitos, por dois dias um grupo de ambulantes fechou o circuito Dodô, na Barra e ameaçou não permitir a saída dos trios caso a limitação da venda não fosse abolida pela prefeitura. Mas, com a negativa do Município de mudar as regras, o que mais se encontrou nas ruas foi comerciante driblando a proibição. “O povo pede, e a gente tem que vender mesmo. O ‘rapa’ faz uma coisa que não é justa: a gente sua para conseguir comprar as mercadorias, mas eles vêm e levam tudo”, reclama o ambulante Pedro Santos, de 18 anos.
 
“A manifestação foi só de um pequeno grupo. São vendedores de oportunidade, aqueles que trabalham ocasionalmente e que não são ambulantes profissionais”, argumentou a secretária de Ordem Pública, Rosemma Maluf.
 
“Amigos” de Rosemma, ambulantes protestaram durante a festa

Conforme revelou o Jornal da Metrópole há duas semanas, a secretária de Ordem Pública, Rosemma Maluf, intitula-se “a amiga dos ambulantes”, tendo, segundo denúncias, protegido grupos ligados a articuladores políticos de sua pré-campanha a vereadora, agora abortada. Apesar disso, seus amigos usaram o momento de maior visibilidade da cidade para protestar.
 
O prefeito ACM Neto criticou as manifestações e classificou o grupo como “baderneiro”. “A gente lamenta porque isso não é protesto, é baderna. E nós vamos continuar trabalhando firmemente para manter a ordem, manter a organização, para garantir que o Carnaval de Salvador possa ter os seus parceiros privados”, criticou.
 
Mais de 126 mil latas de cerveja apreendidas

Nos sete dias de evento, a Sucom apreendeu mais de 126 mil unidades de cerveja de marcas concorrentes que seriam comercializadas nos circuitos do Carnaval. Só em um estoque, no bairro de Nazaré, foram 105 mil unidades apreendidas. “Os responsáveis pelo estoque estavam abastecendo os vendedores e ambulantes que compravam as cervejas fora da área de restrição”, disse o secretário municipal de Urbanismo, Silvio Pinheiro.
 
Licitação vai escolher futura cervejaria
Com o fim do contrato com a Schin, em 2017, a Prefeitura vai abrir concorrência pública para escolher a empresa que deve investir no Carnaval da cidade e vender os produtos na festa. “Com a abertura de nova concorrência, qualquer empresa interessada em participar do Carnaval vai ter essa possibilidade, sabendo que terá que investir na cidade para isso. Estão todos publicamente convidados, inclusive as cervejarias. O que não pode é querer faturar milhões com uma festa desse porte e não querer investir nada em troca. Isso não vamos aceitar”, explicou o prefeito ACM Neto.
 
Pinheiro explica: formato é bom

Para Silvio Pinheiro, a questão não passa de uma “polêmica requentada”. O secretário de Urbanismo da cidade lembrou que o modelo é usado em grandes eventos como a Copa do Mundo, no qual somente as Brahma e Budweiser podem ser vendidas, além do que acontece na Arena Fonte Nova e no Mercado do Rio Vermelho, ambos de domínio da Itaipava, em parceria com o governo do estado.
 
“Estamos no terceiro ano. Então, essa polêmica seria, no máximo, uma polêmica requentada. Foi um modelo que buscamos nos grandes eventos do mundo, que chegou ao Brasil na Copa das Confederações e na Copa do Mundo. Foi aprovada uma lei que determinava esse raio de restrição, e utilizamos isso no Carnaval. Se em outros eventos, muito mais ricos, você pode fazer isso, por que em Salvador, uma cidade tão carente de recursos e com um ativo tão importante quanto o Carnaval, não pode?”, disse.

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