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Shopping da Gente engana lojistas e promete até entregar chaves sem Habite-se

“Nós estamos mandando uma carta para eles hoje e, automaticamente, será agendada uma data para a entrega”. Esta foi a promessa feita pelo empresário Carlos Piñon Filho em entrevista ao Jornal da Metrópole no início de janeiro de 2016, quando garantiu que, em no máximo uma semana, os comerciantes do Shopping da Gente já estariam com as chaves dos boxes na mão. [Leia mais...]

[Shopping da Gente engana lojistas e promete até entregar chaves sem Habite-se ]
Foto : Tácio Moreira/Metropress

Por Bárbara Silveira no dia 25 de Fevereiro de 2016 ⋅ 06:00

“Nós estamos mandando uma carta para eles hoje e, automaticamente, será agendada uma data para a entrega”. Esta foi a promessa feita pelo empresário Carlos Piñon Filho em entrevista ao Jornal da Metrópole no início de janeiro de 2016, quando garantiu que, em no máximo uma semana, os comerciantes do Shopping da Gente já estariam com as chaves dos boxes na mão.
 
Seis semanas depois, nada foi resolvido e cerca de 400 microempresários continuam aguardando a entrega dos 370 boxes do empreendimento, que fica na Av. ACM e deveria ter sido entregue em maio de 2014. “Parece que Carlos Piñon não está nem aí mesmo para os lojistas. Não faz nenhum comunicado. A comunicação é muito ruim. Ele não procura nem nos informar o que está acontecendo”, reclama o líder da associação dos lojistas do Shopping da Gente, Yan Barros. 
 
Se em janeiro a desculpa para a demora na entrega era uma pendência com a Coelba, — segundo Piñon, faltava colocar uma ligação de energia para liberar o empreendimento “100% pronto” —, agora, o empresário usa a burocracia para justificar a falta de compromisso com os permissionários que pagaram de R$ 7 mil a R$ 7,5 mil por cada boxe no “primeiro shopping popular da Bahia”.  “Ele disse que vai sair o Habite-se, mas nenhuma novidade sobre quando vai sair. O comerciante não tem como investir na loja sem ter a liberação”, afirma Yan.
 
Empurra para a prefeitura
Mesmo Piñon afirmando que o empreendimento está “100%”, a parte que falta é nada mais que a liberação da Prefeitura de Salvador. O Shopping da Gente continua irregular por causa de pendências na apresentação de plantas e projetos. 
 
De acordo com a Secretaria Municipal de Urbanismo (Sucom), o shopping fez uma ampliação que não estava no projeto. Por isso, agora a pasta precisa dos novos documentos para que possa liberar o Habite-se.
O empresário afirmou que iria entregar as pendências na última segunda-feira (22), mas, adivinha?, não cumpriu a promessa. Segundo ele, os documentos foram entregues na tarde da última terça-feira (23). “Já está tudo com a Sucom”, afirmou.
 
Chaves antes do habite-se 
Não ter o Habite-se — que, em resumo, é a autorização final emitida pela Prefeitura para que o empreendimento possa funcionar — não parece ser limitação para o empresário. Ao Jornal da Metrópole, Carlos Piñon garantiu que os lojistas que entregaram os projetos solicitados já podem procurar o escritório da empresa, pegar a chave do boxe e começar a trabalhar imediatamente — como se, na prática, isso fosse possível.
“A obra está 100%, pode procurar a gente. Na hora que quiser, pode entregar [a documentação], os engenheiros estão aqui. A gente aprovando, podem entrar de imediato”, disse.
 
Questionado sobre o funcionamento sem aval da Prefeitura, o empresário desconversa. “Temos o alvará, e o habite-se vai sair a qualquer momento”, garante. Um lojista que não quis se identificar, porém, protesta. “É só promessa. Ninguém tem mais paciência para isso”, falou. 
 
Lojistas se dizem ludibriados
Para o presidente da Associação dos Lojistas do Shopping da Gente, Yan Barros, Piñon está enrolando os microempresários para enfraquecer protestos contra a gestão do empreendimento. “Ele tentou ganhar mais tempo, porque viu que a gente estava se movimentando, programando uma manifestação. Isso não é brincadeira. São dois anos de atraso. Vidas estão sendo totalmente prejudicadas por conta disso. Muita gente abriu mão de muita coisa para fazer esse investimento”, lembra. Revoltados, os comerciantes vão procurar Carlos Piñon FIlho na próxima semana e, se não houver uma solução para o imbróglio, vão organizar uma nova manifestação.

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