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Prefeitura tacha Uber como clandestino, mas quer regulamentar mototáxi

Se depender da boa vontade do prefeito ACM Neto e do secretário de Mobilidade, Fábio Mota, Salvador ficará para trás e não estará no rol das mais de 360 cidades onde o serviço de transporte Uber atende. Com a regulamentação dos taxistas, aprovada na última segunda-feira (14), a Prefeitura coloca o aplicativo no mesmo nicho dos mototaxistas: ambos clandestinos e sujeitos a multas diárias de R$ 240. [Leia mais...]

[Prefeitura tacha Uber como clandestino, mas quer regulamentar mototáxi]
Foto : Tacio Moreira/ Metropress

Por Jornal da Metrópole no dia 18 de Março de 2016 ⋅ 06:00

Se depender da boa vontade do prefeito ACM Neto e do secretário de Mobilidade, Fábio Mota, Salvador ficará para trás e não estará no rol das mais de 360 cidades onde o serviço de transporte Uber atende. Com a regulamentação dos taxistas, aprovada na última segunda-feira (14), a Prefeitura coloca o aplicativo no mesmo nicho dos mototaxistas: ambos clandestinos e sujeitos a multas diárias de R$ 240.

Mas com uma ressalva: os mototaxistas estão cada vez mais próximos da regulamentação, situação bem diferente dos motoristas da Uber.
Afinal de contas, o que é esse serviço que poderia ajudar o transporte de Salvador, mas que é mal visto pela Prefeitura e ainda pouco conhecido pela população? O Jornal da Metrópole explica, para que você possa tirar suas próprias conclusões...
Fundado em 2009 nos Estados Unidos, o serviço exige que o passageiro se cadastre no aplicativo, fornecendo os seus dados de cartão de crédito. A partir daí, basta ter um smartphone com acesso à internet.  Mas por que tanta facilidade encontra o entrave do município?

Neto deixa claro que “não tem simpatia”

Apesar de garantir que a entrada do serviço dos motoristas da Uber na cidade será discutida, o prefeito ACM Neto já deixou bem claro o seu posicionamento na história. ”Eu não tenho simpatia por esse tipo de serviço. Agora, estamos estudando quais são os limites legais. Eu não vou irresponsavelmente dizer que haverá uma proibição ao Uber. A minha ideia é preservar os taxistas e, se depender da minha vontade e do meu trabalho, o Uber não vai entrar em Salvador para prejudicar os taxistas”, garante.
“Quero reafirmar para combater a clandestinidade. Não podemos admitir que o pai ou a mãe de família que paga suas taxas e se sujeita a esse regulamento tenha uma concorrência injusta com quem não passa pelo crivo do poder público. Fábio [Mota] tem a minha autorização para ser duro na fiscalização. Vou com unhas e dentes para proteger os taxistas. Contem comigo na condição de advogado, que vai para a linha de frente brigar por vocês”, completa, arrancando palmas e elogios das dezenas de taxistas presentes no evento que divulgou o novo regulamento.

De olho nos votos? Mota alega risco de vida

Afirmando saber quem são cada um dos mais de 7 mil taxistas de Salvador, o secretário Fábio Mota cita supostos riscos aos passageiros como justificativa para barrar o aplicativo. 
“Não sabemos quem são os motoristas da Uber (...) Esses carros que são autorizados pela Prefeitura são vistoriados duas vezes por ano”, argumenta Mota.
 “Não seria um retrocesso [não ter o serviço]. Acho que temos que melhorar o táxi”, completa o secretário, escancarando a benevolência com a categoria em ano de eleição.

App amedronta empresários; preço da corrida é diferencial

O Jornal da Metrópole foi às ruas ouvir os taxistas. Trabalhando há mais de 15 anos no mercado, um motorista que preferiu não se identificar afirmou que o aplicativo não afetará seu trabalho. 
“Andei lendo e vi que esse Uber não tem nada de mais. É mais luxuoso que os táxiscomuns e vai pegar a parte do povo que pede mais por celular e internet. Eu mesmo tenho uma clientela que pego na rua, idosos que já me conhecem e me ligam, confiam em mim. Não me amedronta”, ressalta. Para ele, o temor é maior por parte dos donos de frotas de táxi. “Esses sim, se preocupam”, afirma sobre a queda no faturamento.
A diferença no preço entre o táxi e o Uber é outro diferencial. “Uma corrida de táxi que custou R$ 26 em São Paulo saiu por R$ 16 com o Uber”, diz o empresário Everton Matos. 

E a fiscalização do mototáxi?

Apesar de condenar o Uber alegando motivos de segurança, já que a Prefeitura não teria como fiscalizar todos os motoristas, até o mês de abril, o prefeito ACM Neto vai encaminhar à Câmara um Projeto de Lei que pretende regulamentar a atuação dos mototaxistas.
“Para preservar o trabalho dos taxistas, dos ônibus, todos os modais do transporte público, não dá para desconsiderar a existência dos mototaxistas e deixá-los na clandestinidade”, afirma Neto. Mas, o pensamento do prefeito sobre a categoria nem sempre foi assim. “Quando era candidato a prefeito, disse que iria combater os táxis clandestinos. Ele mentiu, não combateu”, lembra o taxista Carlos Ribeiro. 
Apesar do ‘enxame’, o próprio Fábio Mota reconhece que falta efetivo para fiscalizar. “Teremos que contratar através de concurso público para que se faça um grupo especial de fiscalização”, diz.

Uber se defende e destaca diferenças

Ou a pesquisa da administração municipal sobre como funciona, de fato, o serviço da Uber está deixando a desejar ou a comunicação entre ambas as partes anda falha. Procurada pelo Jornal da Metrópole, a direção da empresa explicou que o Uber não presta o mesmo serviço que o táxi. “Táxis são um transporte público individual, o que significa que ele possui universalidade - ou seja, atende a qualquer indivíduo independentemente de qualquer requisito. A Uber oferece transporte privado individual e o único jeito de você conseguir um carro é por meio do aplicativo, no smartphone. O Uber só vai até o usuário quando solicitado, o que é diferente do funcionamento de táxis”, explica.
O “beneficiamento” do Uber também foi rebatido. “Os carros são dos motoristas parceiros e eles pagam IPVA e também o preço cheio do carro, sem o desconto de IPI e ICMS, como no caso dos taxistas”, conclui.

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