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Emergências lotadas fazem vergonha nos hospitais particulares de Salvador

Além de causar grandes tragédias e muitos engarrafamentos em Salvador, o período de chuvas gera ainda outro problema: a superlotação das emergências dos hospitais.

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Foto : Tácio Moreira/Metropress

Por Ticiane Bicelli no dia 21 de Maio de 2015 ⋅ 07:22

Além de causar grandes tragédias e muitos engarrafamentos em Salvador, o período de chuvas gera ainda outro problema: a superlotação das emergências dos hospitais. Isso porque a variação de temperatura ajuda a proliferar viroses e alergias. Além disso, água acumulada é criadouro do mosquito aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e zika vírus.

Com os surtos, a população vai em busca das emergências e o resultado são muitas horas de espera. Foi o que aconteceu com Thiago Brito, no Hospital Aeroporto, na segunda (18). Ele chegou por volta das 8h e esperou mais de seis horas até ser atendido. "Fui conversar com o responsável pela espera às 11h. Ainda tinham 17 pessoas na minha frente e ele disse que eu deveria ir para casa almoçar, pois não seria atendido tão cedo", conta.

O caso da colega do Grupo Metrópole, a repórter Stephanie Suerdieck, foi ainda pior: nove horas aguardando atendimento no Hospital Português. E em pé: "Dei uma passada no Hospital Jorge Valente e estava lotado. Fui para o Santa Isabel, que já estava encerrando as fichas para atendimento, e então segui para o Português. Você nunca imagina que vai ficar nove horas em um hospital sem sequer conseguir olhar na cara do médico".

"Pessoas suplicando, chorando nos corredores"
Segundo Suerdieck, durante sua passagem no Hospital Português, muitas pessoas acabaram desistindo de esperar, já que não havia sequer cadeiras suficientes para os pacientes aguardarem sentados. "Observei pessoas esperando em cadeiras de rodas, pessoas com fortes dores suplicando por atendimento e chorando nos corredores. Uma senhora teve uma crise, começou a se debater e a única coisa que ela recebeu foi um recipiente para poder vomitar. Eu acredito que deveria mudar um pouco o padrão de atendimento numa situação de emergência inflada", pontua.

Sesab: "vagas suficientes"
Apesar dos problemas, o superintendente de atenção integral da Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab), Matheus Simões, diz que o número de hospitais e funcionários é suficiente para a demanda emergencial em Salvador. Para o superintendente, o que precisa ser mudado é a cultura dos pacientes de procurar os hospitais, em vez de se dirigirem às unidades básicas de saúde ou de pronto atendimento (UPAs), todas públicas. "As unidades hospitalares estão superlotadas por um excesso de pacientes que, às vezes, não são sequer da demanda do hospital. A maior parte dos pacientes procura os hospitais, mesmo não tendo grau de complexidade em sua patologia", critica.

?"Atendimento precário, nenhum conforto"
 Lívia Venas, que vive em Feira de Santana e teve sete casos de chikungunya na família, disse que trouxe a mãe doente para o Hospital São Rafael, em Salvador, pois as emergências do município vizinho estavam ainda mais lotadas: "Mas, infelizmente, tivemos um atendimento precário. Esperamos muito pra ter uma resposta do que ela tinha. Ficamos seis horas no hospital e não havia nenhum conforto - nem para pacientes, nem para acompanhantes".

Fim do espanhol ainda dói
De acordo com Matheus Simões, é preciso regionalizar a saúde, já que Salvador não tem capacidade para receber pacientes do interior. "Você recebe muita gente que poderia ser tratada no interior, mas vem para uma emergência em Salvador. Feira, por exemplo, tem uma saúde municipalizada e deveria dar respaldo lá. No entanto, no desespero das pessoas e muitas vezes na falta de gestão da saúde dos municípios, são todos encaminhados a Salvador, que não suporta. A rede de atendimento hospitalar de Salvador é puramente do estado", justifica.

Questionado sobre as consequências do fechamento do Hospital Espanhol, que tinha 270 leitos que não foram repostos, o superintendente de atenção integral à saúde da Sesab admite que o encerramento das atividades na unidade tem prejudicado o atendimento de algumas demandas em outros hospitais da cidade.

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