Cidade

Sobe-desce de idosos nos ônibus é responsabilidade da Semob e dos empresários

Na semana passada, a Metrópole mostrou que os idosos passaram a viver uma verdadeira via-crúcis após o cartão de gratuidade ser suspenso, no dia 15 de agosto [Leia mais...]

[Imagem not found]
Foto : Tácio Moreira/Metropress

Por Bárbara Silveira no dia 02 de Setembro de 2016 ⋅ 15:07

Na semana passada, a Metrópole mostrou que os idosos passaram a viver uma verdadeira via-crúcis após o cartão de gratuidade ser suspenso, no dia 15 de agosto. Na ocasião, uma ação civil da Defensoria Pública e do Ministério Público Estadual foi julgada procedente pela Justiça, que considerou o cartão “restritivo” e determinou o seu cancelamento. 

A partir daí, os 147 mil usuários que possuíam a carteira voltaram a entrar nos ônibus apresentando apenas a identidade, como era feito anteriormente. O problema é que os ônibus de Salvador mudaram: com o cobrador na parte frontal, ficam disponibilizados poucos assentos especiais antes da catraca. Com a limitação, os idosos, que muitas vezes possuem problemas de locomoção, passaram a ter duas opções: ou se espremem na parte da frente ou sobem pela porta dianteira, apresentam o RG, descem e sobem novamente pela porta do meio. 

Uma semana depois da primeira matéria, a Metrópole apurou que a culpa deste sobe-desce cruel com os idosos é da Secretaria de Mobilidade (Semob), encabeçada por Fábio Mota, e do consórcio Integra, que opera o sistema de ônibus da cidade.

Subida e descida do ônibus foram impostas pela semob, denuncia defensora pública
Subcoordenadora da Defensoria Especializada de Proteção ao Idoso, Laise Carvalho afirma que a ação buscou assegurar a universalidade do direito dos idosos, já que o cartão obrigava que as pessoas enfrentassem a burocracia e as taxas da Prefeitura, sendo que a Constituição já garantia o acesso gratuito.

Laise deixou claro que a sentença não determina a maneira com que os idosos terão acesso ao ônibus — ou seja, a via-crúcis dos mais velhos é responsabilidade da Prefeitura e da Integra. “A Semob e as empresas de ônibus impuseram essa condição. Isso não pode ser admitido”, disse Laise à Metrópole.

Mota tenta desqualificar defensoria
O secretário de Mobilidade, Fábio Mota, tentou desqualificar a iniciativa da Defensoria Pública ao dizer a Zé Eduardo, na Metrópole, nesta quarta, que o cartão “não era pauta” da imprensa até a ação ser proposta. Segundo ele, os idosos estavam muito satisfeitos com o cartão de gratuidade. Além disso, isentou a Semob de responsabilidade. “A Prefeitura não é dona dos coletivos e, sim, fiscal e gestora da concessão para as empresas”, declarou.

“Cartão-mestre” em teste
A subcoordenadora afirmou que, em reunião com as empresas, ficou definido que seria testado um cartão-mestre nas mãos do cobrador. “Foi estabelecido que isso seria feito de forma gradativa, e que seria feito uma capacitação tanto dos cobradores como dos motoristas”, disse. 

Mota, por sua vez, afirma que o treinamento já começou. “São 8 mil pessoas. Espero que semana que vem melhore. Resolver não vai”, afirmou o secretário.

Notícias relacionadas