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Roberto Santos completa 90 anos de imensas contribuições à Bahia

Médico, cientista, professor, secretário de Saúde, reitor da Universidade Federal da Bahia, governador, ministro da Saúde, deputado federal. Estes são alguns dos muitos cargos e postos que Dr. Roberto Santos ocupou ao longo de sua vida, que completa 90 anos hoje (15). Para celebrar a data, tão importante não só para Dr. Roberto, como para o estado, a Metrópole relembra a trajetória deste grande baiano [Leia mais...]

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Foto : Tácio Moreira/Metropress

Por Nardele Gomes no dia 15 de Setembro de 2016 ⋅ 14:39

Médico, cientista, professor, secretário de Saúde, reitor da Universidade Federal da Bahia, governador, ministro da Saúde, deputado federal. Estes são alguns dos muitos cargos e postos que Dr. Roberto Santos ocupou ao longo de sua vida, que completa 90 anos hoje (15). Para celebrar a data, tão importante não só para Dr. Roberto, como para o estado, a Metrópole relembra a trajetória deste grande baiano.

Roberto Figueira Santos nasceu em 15 de setembro de 1926, filho de Carmem Figueira Santos e Edgard Santos. Seu pai, médico, fundador e primeiro reitor da Universidade Federal da Bahia em 1946 e ministro da Saúde, foi uma das personalidades mais importantes para a formação da cultura da sociedade baiana no século XX, tendo criado as primeiras escolas de música, teatro e dança do Brasil, além da instalação do Museu de Arte Sacra da Ufba. Seu filho Roberto formou-se médico aos 23 anos na Faculdade de Medicina da Bahia, um dos alicerces da universidade. 

O escritor e empresário Joaci Góes lembra a precoce formação profissional de Roberto. “Ele se graduou em medicina no período áureo da universidade, sob a liderança do seu pai, que construiu uma referência nacional. Catedrático aos 30, antes de completar 40 ele já era festejado na classe médica brasileira como uma das maiores sumidades do Brasil, em consequência dos seus estudos nos Estados Unidos e na Europa. A partir dos 40, dedicou-se à administração”, conta.

Da clínica médica à reitoria da Ufba
Ao voltar das temporadas no exterior, Dr. Roberto se dedicou à clínica médica e ao ensino superior, até que, em 1967, foi nomeado secretário de Saúde pelo então governador Luiz Viana Filho. Quem nos conta essa história é o filho do governador, o empresário e advogado baiano Luiz Viana Neto. 

“Luiz Viana Filho, antes de tomar posse, aproximou-se de dois jovens, que despontavam como os mais promissores da nova geração: Victor Gradin e Roberto Santos. Ambos seriam secretários de estado. Roberto tornou-se secretário de Saúde. No entanto, mal tinha acabado de preparar sua equipe, a sucessão na reitoria da Ufba mudou seu destino e ele tornou-se reitor, realizando um trabalho notável”, lembra. 

Amizade com MK
Foi durante o período de Dr. Roberto como reitor que Mário Kertész o conheceu. “Foi quando fui ser secretário de Planejamento, Ciência e Tecnologia e ele me ajudou bastante. Depois nos afastamos, até que, quando rompi com ACM, fui muito bem recebido por ele e Maria Amélia, sua extraordinária e saudosa esposa, que participou ativamente da vida de Roberto”, contou.

Simplicidade e transparência sempre foram marcas de Dr. Roberto Santos
A primeira filiação de Dr. Roberto se deu em 1974, na Arena, um ano antes de sua eleição para governador. Secretário de Justiça naquela ocasição, o jurista e político Edvaldo Brito lembra o comportamento de Dr. Roberto com sua equipe e prefeitos do interior. “Cada qual dos secretários teve dele um apoio enorme. Ele tinha despacho regular com cada um de nós. Em um dia da semana, ele recebia no palácio todos os prefeitos que estivessem na capital ou que tivessem agendado com ele. Não tinha limite. Começava cedo e ia até não sei que horas da noite. Almoçava uma alimentação que vinha da periferia de Salvador, um restaurante com uma comida muito gostosa. Almoçava com toda a simplicidade do mundo. Não enganava ninguém, era um homem muito claro e transparente”, recorda-se.

Eleições, CNPQ, OMS e câmara dos deputados
Roberto Santos foi governador da Bahia entre 1975 e 1979. Findo o bipartidarismo, em 1980, abrigou-se no Partido Popular (PP), fundado por Tancredo Neves como alternativa para setores moderados tanto da Arena quanto do MDB. Ingressou no PMDB em 1982, após a incorporação de seu partido. Concorreu ao governo do estado por duas vezes: em 1982, sendo derrotado por João Durval Carneiro, e em 1990, quando perdeu para Antônio Carlos Magalhães, que naquela oportunidade assumiu o estado pela terceira vez. 

Ao longo do governo Sarney — o primeiro da reabertura política no país —, iniciado em 1985, Roberto Santos foi presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) entre 1985 e 1986, ministro da Saúde entre 1986 e 1987, e representante do Brasil no Conselho Diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS) na Suíça, de 1987 a 1990. Já no PSDB, em 1994, foi eleito deputado federal, mesmo ano em que, aposentado, deixou suas atividades de docente na Universidade Federal da Bahia.

“Homem digno e figura humana fantástica”
Mário Kertész enaltece a figura do amigo, tão importante para a história da Bahia. “Roberto Santos, já há algum tempo, é um querido amigo. Tenho por ele uma admiração imensa, pelo homem digno, correto, honesto, pelo político, cientista, professor, pela figura humana fantástica. Por tudo isso, Roberto é uma pessoa admirada e tenho ele no meu coração porque ele soube fazer uma família, dividir a vida dele com uma mulher digna e soube ser esse grande governador, ministro, deputado, reitor, professor. Tudo o que fez, fez bem feito, e com uma simplicidade extraordinária”, diz. 

“Biografia com legado extraordinário”
Com emoção, Edvaldo Brito parabeniza Dr. Roberto Santos. “Eu, com muita emoção, Dr. Roberto Santos, lhe digo que a Bahia tem personalidades que me cativaram. Me permita incluir dentre elas o próprio Luiz Viana Filho, o secretário Luiz Navarro de Brito, Mamede Paes Mendonça, Miguel Calmon... Essas figuras são empreendedoras da Bahia. O senhor é uma dessas grandes personalidades.

Agradeço a Deus por ter convivido com o senhor tantos anos. Sua vida é um exemplo”, elogia.O empresário e escritor Joaci Góes também presta sua homenagem. “Parabéns, professor Roberto Santos, pelo legado extraordinário da sua biografia, para iluminar os caminhos da Bahia do presente e do futuro”, afirma.

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