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Dois de Julho coloca passageiros em perigo há anos e sem fiscalização que merece

A estudante Paula Tanure é uma das infelizes passageiras das 19 linhas sob responsabilidade da viação Dois de Julho, que atua no transporte metropolitano de Salvador.Paula pega os ônibus da empresa diariamente e já perdeu a conta de quantas irregularidades presenciou [Leia mais...]

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Foto : Tácio Moreira/Metropress

Por Bárbara Silveira no dia 29 de Setembro de 2016 ⋅ 23:00

A estudante Paula Tanure é uma das infelizes passageiras das 19 linhas sob responsabilidade da viação Dois de Julho, que atua no transporte metropolitano de Salvador.  Paula pega os ônibus da empresa diariamente e já perdeu a conta de quantas irregularidades presenciou. 

“Tem motorista que corre sem parar. Já os vi várias vezes brigando com senhores de idade sem necessidade alguma. O ônibus fica quebrando, janelas são emperradas. E eles realmente não param no ponto, vão passando direto”, reclama. 
Todas as reclamações de Paula são conhecidas pela Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba), que, apesar de tantas queixas, garante que fiscaliza o serviço.

Mas, pelo visto, este acompanhamento não tem sido suficiente: a Agerba já registrou 79 reclamações contra a Dois de Julho somente nos últimos 9 meses.

Ônibus velhos e longa espera
A comerciante Rosa Ribeiro já perdeu as contas de quantas vezes chegou atrasada no trabalho por causa da Dois de Julho. Segundo ela, além do atraso, os motoristas frequentemente ultrapassam o limite de velocidade. “Todo dia é assim. A estrutura é péssima, ônibus velhos... Vejo a hora de quebrar no caminho. E ainda correm muito”, explica. 
À Metrópole, um passageiro que pediu anonimato afirmou que já desistiu de procurar a Agerba para denunciar a Dois de Julho. “A gente liga, conta os absurdos e eles dizem que vão resolver. Estou esperando sentado. Não adianta”, lamenta. 

Agerba promete mais rigidez em novo sistema de transporte metropolitano
As reclamações são comprovadas pela extensa lista de multas que a empresa tem na Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador). Somente nos últimos 20 meses foram 308 infrações registradas — e isso só na capital. Diretor-executivo da Agerba, Eduardo Pessoa reconhece as muitas reclamações. “Pontos de parada que não param, manutenção e conservação, desrespeito no atendimento. Os dois mais frequentes são pontos de parada e desrespeito no atendimento”, afirma. 

Segundo Pessoa, a empresa se defendeu de algumas acusações, mas, mesmo assim, a Agerba já aplicou 42 multas à Dois de Julho. Questionado se as multas são suficientes para garantir um serviço de qualidade, Pessoa disse que existe um estudo em curso para a reforma do transporte metropolitano. “As empresas vão ter que se adaptar a melhorar a frota, fazer treinamento, aplicar sistemas de informática”, diz.

Sistema raramente lê o cartão metropasse
Segundo a estudante Paula Tanure, o sistema dos veículos que deveria ler o cartão de meia passagem estudantil Metropasse apresenta defeito constantemente. “Recentemente, precisei passar e a máquina não fez a leitura. Teve outra vez que tive o mesmo problema, só que o motorista disse que não tinha pagado o cartão. Eu passei novamente e acabou cobrando duas vezes a passagem. Eu tive que pegar 4 ônibus esse dia e como ele [motorista] tinha passado duas vezes no leitor, eu não tinha como pegar mais ônibus”, lembra a estudante que teve que arcar com o prejuízo.

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