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Estamos de olho: Solar Boa Vista amarga abandono; entenda

Quase 300 anos de história resumidos a escombros. É esta a triste situação do Solar Boa Vista. O imóvel, que fica no Engenho Velho de Brotas, foi moradia do poeta Castro Alves no passado, e em 1983 foi cedido pelo governo do estado à Prefeitura de Salvador. Até 1986, foi o gabinete do prefeito Manoel Castro, e desde a segunda gestão de Mário Kertész na Prefeitura era ocupado pela Secretaria Municipal de Educação. [Leia mais...]

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Foto : Tácio Moreira / Metropress

Por Camila Tíssia e Felipe Paranhos no dia 11 de Outubro de 2016 ⋅ 06:48

Quase 300 anos de história resumidos a escombros. É esta a triste situação do Solar Boa Vista. O imóvel, que fica no Engenho Velho de Brotas, foi moradia do poeta Castro Alves no passado, e em 1983 foi cedido pelo governo do estado à Prefeitura de Salvador. Até 1986, foi o gabinete do prefeito Manoel Castro, e desde a segunda gestão de Mário Kertész na Prefeitura era ocupado pela Secretaria Municipal de Educação. Mas, em janeiro de 2013, um incêndio destruiu toda a estrutura interna do prédio. Na época, o prefeito ACM Neto demonstrou a intenção de reformar o imóvel com rapidez.

"Esse prédio é do Governo do Estado. Soluções futuras eu acho que podem também passar por um entendimento e um diálogo com o Governo do Estado", afirmou Neto.

O então governador Jaques Wagner, que visitou os escombros ao lado do prefeito, também declarou que faria todo o esforço para restaurar o Solar Boa Vista. 

"Felizmente o prédio está assegurado, mas evidentemente que um prédio do século XIX, que foi morada de Castro Alves, a nossa pretensão é recuperá-lo de tal forma que toda fachada seja mantida, pelo menos. A ideia é tentar negociação com a liberação do seguro", disse Wagner.

Disputa entre governo e prefeitura
Mas, na prática, as coisas não funcionaram deste jeito. Uma disputa entre governo e prefeitura travou todo o processo, já que cada lado queria dar um destino ao Solar. O secretário de educação na época, guilherme Belintani, disse que o problema estava no interesse do Estado em determinar e fiscalizar uma obra custeada pelo município. Na ocasião, a Prefeitura decidiu não trabalhar nessa condição. 

Outro ano se passou, e em 2016 as coisas pareciam se acertar, com a realização de encontros entre Bellintani e o secretário estadual de Administração, Edelvino Góes. Em maio, a diretora de bens e imóveis do Estado, Ana Cláudia Bulhões, afirmou à Metrópole que uma solução estava próxima.

"No dia 28 de abril houve uma reunião aqui na Secretaria de Administração, com a participação do [então] secretário municipal de educação, Guilherme Bellintane, e Edelvino Góes, secretário de Administração do Estado. Nessa reunião, a secretaria municipal de educação se comprometeu a apresentar um plano de reforma do imóvel num período de 90 dias. A prefeitura ela tem demonstrado interesse em permanecer no imóvel. O estado já tinha feito um seguro desse imóvel e a prefeitura vai entrar complementando o valor para recuperação integral e eles vão permanecer na posse", falou Ana Cláudia.

Iphan atrasa TAC e os dois lados cruzam os braços
150 dias já se passaram, e a única mudança foi que o Iphan passou a ser responsável por decidir o futuro do Solar. Um Termo de Ajustamento de Conduta deveria ter sido entregue em agosto ao governo e à Prefeitura definindo a responsabilidade de cada um na reforma, no entanto os dois lados apenas cruzam os braços e esperam o documento, que até hoje não chegou. O advogado da Secretaria de Educação do município, Élio Azevedo, assume que houve omissão. 

"A gente tem que respeitar a dinâmica do órgão. Se ele não apresentou é porque deve ter tido alguma dificuldade nesse sentido. Houve mudança de superintendente, enfim... Devido a mudança no Governo Federal, tudo isso. A gente vai tentar manter o contato e saber quais são as dificuldades que eles devem estar passando para poder apresentar esse Termo", admitiu Azevedo. A Metrópole está de olho e vamos continuar cobrando! 

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