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Cartões postais são enfeados por banheiros químicos da Prefeitura de Salvador

O músico Sidd Fachin jánem lembra mais quantas vezes precisou interromper a corrida para não se sujar com a água que sai dos banheiros químicos instalados pela Prefeitura de Salvador na região da praia do Porto da Barra. “As pessoas precisam desviar da água que fica na calçada, achando que é urina ou ‘rejeito’ que está vazando do banheiro químico”, disse [Leia mais...]

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Foto : Tácio Moreira/Metropress

Por Bárbara Silveira no dia 27 de Outubro de 2016 ⋅ 06:00

O músico Sidd Fachin já  nem lembra mais quantas vezes precisou interromper a corrida para não se sujar com a água que sai dos banheiros químicos instalados pela Prefeitura de Salvador na região da praia do Porto da Barra. “As pessoas precisam desviar da água que fica na calçada, achando que é urina ou ‘rejeito’ que está vazando do banheiro químico”, disse.  A situação já causaria grande transtorno em qualquer ponto de Salvador, mas toma uma dimensão ainda maior pela localização de grande parte dos banheiros: os principais cartões postais da cidade. 

“Solicitações e necessidade”
Não é difícil deparar com um dos 303 banheiros localizados, principalmente, ao lado de pontos turísticos como o Farol da Barra. A Secretaria de Ordem Pública (Semop) afirmou que a escolha por “praças, praias e terminais de ônibus” é feita com base em “solicitações e necessidade”. 
A importância de banheiros é inegável, mas sem dúvida existe uma forma melhor que não estrague nossos cartões postais.  

Rosemma admite: “Não são apropriados” 
Após firmar dois contratos que totalizam cerca de R$ 29 milhões com a empresa Star Ambiental para fornecimento de banheiros, a Prefeitura de Salvador reconheceu que a solução não é nada agradável para soteropolitanos e turistas — afinal, a área interna das cabines costuma ser insalubre.
“Os sanitários químicos não são apropriados para o local. Não só pela questão estética, como também pelo uso que não oferece conforto ao cidadão”, reconheceu a secretária de Ordem Pública, Rosemma Maluf. 

Banheiros fixos em 2017
Rosemma prometeu que, em novembro, a Prefeitura vai iniciar o processo de substituição dos banheiros químicos por “unidades fixas”. “Vamos lançar uma licitação. Sabemos que esses sanitários químicos não garantem um serviço adequado”, disse. A secretária afirmou também que os locais dos novos banheiros já estão definidos. “Mapeamos as principais demandas: orla, praças e pontos turísticos”, afirmou. Procurada, a Star Ambiental não se pronunciou. 

Prefeitura e JCDecaux dispensaram banheiros previstos em contrato
Banheiros dignos deveriam ser, até o ano de 2020, responsabilidade da JCDecaux, que possui a concessão do mobiliário urbano de Salvador. Mas como mostrou o Jornal da Metrópole em março desse ano, a empresa admite que deixou de investir nos equipamentos — que eram previstos em contrato — por julgar abrigos de ônibus “mais úteis”. “[Os banheiros] Foram muito mal utilizados. Não estou querendo dizer que a população é mal educada. No mundo inteiro o banheiro não funciona. Eles foram usados desde sempre como pontos de drogas, de prostituição”,  disse a diretora-geral da JCDecaux no Brasil, Ana Célia Biondi, na época.

Fato é que, se o contrato com a JCDecaux fosse cumprido do jeito que ele foi firmado, não teria sido necessário firmar outros contratos milionários com empresas privadas para a instalação de banheiros químicos. 

Modelo? Campo Grande
 Se os banheiros tradicionais não estão conquistando a simpatia da população, a versão fixa do equipamento promete dar o que falar.  Mas Rosemma Maluf garante que a funcionalidade já foi aprovada. 
“Fizemos a experiência com os sanitários antivandalismo do Campo Grande e deu resultado. Além de resistirem ao vandalismo, que é algo comum, eles oferecem mais conforto ao cidadão”, afirmou. 

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