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Novos donos da rua: Zona Azul será privatizada e já tem empresa favorita

O modo de o soteropolitano utilizar os estacionamentos públicos vai mudar. Se hoje o sistema é composto pelas áreas de Zona Azul, de arrecadação ligada à Prefeitura, com o novo sistema de estacionamento adiantado pela Metrópole [Leia mais...]

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Foto : Tácio Moreira/Metropress

Por Bárbara Silveira no dia 31 de Julho de 2015 ⋅ 06:00

O modo de o soteropolitano utilizar os estacionamentos públicos vai mudar. Se hoje o sistema é composto pelas áreas de Zona Azul, de arrecadação ligada à Prefeitura, com o novo sistema de estacionamento adiantado pela Metrópole na última segunda-feira (27) e confirmado pelo secretário de Mobilidade Fábio Mota na terça (28), a forma será outra.

“Teremos uma empresa que será a administradora de todos os estacionamentos. O que estamos discutindo é se será parquímetro ou se será por monitoramento de câmera. Estamos definindo o modelo e vamos licitar para que a cidade possa ter um estacionamento em um nível diferente”, explica Mota.

Apesar da liberdade dada à futura responsável pela concessão, a Prefeitura deixa clara na Proposta de Manifestação de Interesse (PMI) que há uma lista de exigências. Entre elas, estão a determinação da construção de edifícios-garagem robotizados ou de garagens subterrâneas “priorizando a Barra e o Rio Vermelho”, como parte do projeto de revitalização da Orla.

Para tal mudança, a Prefeitura pediu propostas, por meio do Diário Oficial do Município (DOM). O resultado da seleção de projetos já saiu, e gerou curiosidade: apenas duas empresas manifestaram interesse em operar todas as 7.392 vagas hoje públicas de Salvador — e só uma tem, de fato, experiência no meio. O edital de licitação deve sair em pelo menos um mês.
R$ 2 milhões disputados por empresa especialista e outra sem experiência

Apesar do grande potencial lucrativo — custos de manutenção, por exemplo, hoje inexistem —, oficialmente só duas empresas enviaram projetos alinhados com a proposta da Prefeitura: a baiana Boulevard 161, “mais voltada à exploração de empreendimentos comerciais” — eufemismo da Semob para a ausência de experiência no ramo — e a paulista Hora Park, “com maior expertise na operação de estacionamentos públicos rotativos de grande porte”.

A empresa que tiver o projeto selecionado — alguém tem algum palpite? — vai receber R$ 2,1 milhões. Segundo Fábio Mota, a escolha será por outorga onerosa — o mesmo usado para escolher as empresas que operam o transporte público da cidade. O valor a ser pago ainda não foi estipulado.

Prazo para licitação é de cinco meses
A proposta deverá estar concluída em aproximadamente 5 meses, quando finalmente haverá a licitação, baseada no projeto aprovado pela Prefeitura — que pode ser ou o da baiana Boulevard 161 ou o da paulista Hora Park.

“Findo este prazo, será realizada uma licitação para concessão do serviço de estacionamento nos moldes do projeto e demais estudos que forem apresentados neste PMI”, esclarece a Semob.
Especialista vê atual modelo como atrasado

Para o professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Elmo Felzemburg, especialista em Planejamento de Transporte, ao menos em relação ao modelo, a Prefeitura deu um passo à frente.  “Não tem um controle de pagamento e nem de uso dessas vagas por horário. Então, o que existe hoje é bastante atrasado e é necessário, realmente, uma modernização dessa forma de manejo do estacionamento público com o objetivo de resguardar os interesses da população para que ele tenha o uso adequado e mais justo”, opina.
 

Tarifação como controle

Com as mudanças, a figura do guardador deve deixar de existir — embora a Semob diga que o guardador pode ser reaproveitado e contratado pela empresa. Por isso, a novidade não foi bem recebida pelos representantes do setor. O presidente do Sindicato dos Guardadores e Lavadores de Veículos Automotores do Estado da Bahia (Sindguarda), Melquisedeque de Souza, afirmou que a categoria está temerosa. “É evidente que a categoria se preocupa, mas eu acredito muito que nosso gestor municipal terá alguma providência”, afirmou.

Já o especialista Elmo Felzenburg acredita que a mudança deve vir junto com o controle dos congestionamentos. “Usar a tarifação também como controle de estacionamento, que é o que todas as cidades estão fazendo. E oferecer, em contrapartida, um sistema de transporte público mais moderno”, afirma.

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