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Diminuição de blocos pagos no Carnaval de Salvador surpreende; confira números

Você que curte o Carnaval há algum tempo já imaginou blocos como Cheiro de Amor e Nana Banana fora da folia? É o que vai acontecer em 2017. E não serão só essas as ausências marcantes [Leia mais...]

[Diminuição de blocos pagos no Carnaval de Salvador surpreende; confira números]
Foto : Tácio Moreira/Metropress

Por Bárbara Silveira no dia 23 de Fevereiro de 2017 ⋅ 10:07

Você que curte o Carnaval há algum tempo já imaginou blocos como Cheiro de Amor e Nana Banana fora da folia? É o que vai acontecer em 2017. E não serão só essas as ausências marcantes.

Se o folião pipoca é cada vez mais prestigiado, com inúmeras atrações financiadas por governo e Prefeitura, a iniciativa privada amarga o prejuízo da crise financeira. A solução? Abandonar a avenida e assistir o Carnaval de longe. Foi o que decidiram as direções do Yes — também do grupo Cheiro —, Eu Vou!, Traz a Massa e Araketu. 

“Alguém sabe a carga tributária de um bloco?”
Um dado apurado pela Metrópole dá uma dimensão da queda do número de blocos no Carnaval de Salvador. Enquanto na quinta-feira de 2010 dez blocos fechados desfilaram no circuito Dodô,  apenas dois vão sair esse ano. “O culpado não é o prefeito, não é o governador. Alguém sabe a carga tributária que um bloco de Carnaval tem com o governo federal? Você paga tributos e não tem retorno. O Carnaval de Salvador não chegou a esse momento à toa”, critica o presidente do Cheiro, Windson Silva, que afirma ter dado “um passo atrás” com a desistência.

28% menos cordeiros
Com a queda dos blocos, sofrem também os cordeiros. De acordo com o presidente do sindicato da categoria, Matias Santos, a queda foi expressiva de 2016 para 2017: de 35 mil para 25 mil cordeiros — o equivalente a 28,5%. “O Carnaval sem cordas impacta muito nos postos de trabalho, porque 10 mil cordeiros vão ficar fora do Carnaval esse ano”, contou. 

“Não há camarote se não há o que ver”
Na opinião do presidente da Associação Baiana de Camarotes, Clínio Bastos, o fortalecimento da pipoca não atrapalha os camarotes. 
“Criamos e exportamos um modelo de sucesso, mas precisamos de ajustes. Somos oriundos da rua. O objetivo do camarote é um público que gosta de Carnaval, mas não necessariamente participa dele. Com o enfraquecimento da rua, também perdemos. Nossa essência é a rua. Não há camarote se não há o que assistir”, disse.

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