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Desde 2000, JCDecaux ignora peculiaridades da cidade e maltrata usuários de ônibus

A educadora Soiane Silva tem uma lista extensa de reclamações sobre os pontos de ônibus projetados pela empresa JCDecaux, instalados em diversos pontos da cidade. “Não tem estrutura para quando chove ou mesmo no sol. Não é feito de uma maneira de acordo com a natureza, então a gente sempre está tomando chuva ou sol. Às vezes não tem cadeira para sentar, às vezes a quantidade de pessoas é muito maior do que o ponto suporta...”, reclamou [Leia mais...]

[Desde 2000, JCDecaux ignora peculiaridades da cidade e maltrata usuários de ônibus]
Foto : Tácio Moreira/Metropress

Por Bárbara Silveira no dia 13 de Abril de 2017 ⋅ 06:20

A educadora Soiane Silva tem uma lista extensa de reclamações sobre os pontos de ônibus projetados pela empresa JCDecaux, instalados em diversos pontos da cidade. “Não tem estrutura para quando chove ou mesmo no sol. Não é feito de uma maneira de acordo com a natureza, então a gente sempre está tomando chuva ou sol. Às vezes não tem cadeira para sentar, às vezes a quantidade de pessoas é muito maior do que o ponto suporta...”, reclamou.

A JCDecaux foi a vencedora dos contratos de concessão do mobiliário urbano de Salvador ainda na gestão de Antônio Imbassahy. Na época, a empresa se tornou responsável pela administração dos pontos de ônibus, banheiros, painéis publicitários e outros itens — só que, nos últimos anos, como já mostrou a Metrópole, reduziu drasticamente os serviços prestados na cidade e tem deixado a desejar quanto à manutenção dos equipamentos.

Projeto é questionado
Mais de 17 anos após a assinatura do contrato com a JCDecaux, o modelo de abrigo de ônibus é criticado não só por passageiros, mas também por arquitetos e urbanistas como o baiano Fernando Peixoto.
De acordo com o especialista, os pontos deveriam ser mais funcionais para o usuário e servir para contar um pouco da história de personalidades da Bahia. “Um local em que pudesse estar exposto algo sobre a cidade. Acho que ele pode ter mais conforto, mas é preciso muito cuidado para esse conforto não se tornar abrigo de barracas, de camelôs”, opinou.

Passageiros se espremem em meio a cacos de vidro na Avenida Jequitaia
O ponto administrado pela JCDecaux na Avenida Jequitaia, na região da Calçada, estava com parte dos vidros estraçalhados na manhã da última quarta-feira (12). Apesar do risco, pedestres se espremiam na pequena área de cobertura para tentar fugir do sol forte. “Não tenho costume de pegar ônibus aqui, mas isso é perigoso mesmo”, reconheceu a aposentada Lourdes Lopes.
Procurada pela Metrópole, a empresa argumentou que faz a manutenção regular e “constante” dos 390 pontos, “incluindo intervenções programadas e corretivas”.

“Os pontos antigos eram bem melhores”
Apesar de antigos, os pontos projetados pelo arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé, agradam muito mais a população que depende do transporte público. De acordo com a usuária Soiane Silva, por ser construído em concreto e ter estrutura mais ampla, as edificações dão muito mais segurança e conforto. “Aqueles pontos mais antigos eram bem melhores, porque tinham uma base central e saíam duas laterais. Então, ou ele cobria o fundo ou a frente. Aquele era melhor. Esse só tem para frente. Tem uns que a parte de trás fica totalmente descoberta”, avaliou.

JCDecaux abandonou banheiros
Em 2016, a Metrópole denunciou que a JCDecaux acabou com quase todos os banheiros públicos que faziam parte do mobiliário. Na época, a diretora-geral da empresa no Brasil, Ana Célia Biondi, culpou o soteropolitano pelo fim de algo que a empresa deveria cuidar. “Quando foram instalados, foram muito mal utilizados. Não estou querendo dizer que a população é mal educada. No mundo inteiro o banheiro não funciona. Eles foram usados desde sempre como pontos de drogas, de prostituição”, afirmou a executiva.

Mudança, talvez, em 2019
O secretário de Mobilidade de Salvador, Fábio Mota, reconheceu que o modelo de Lelé é mais eficiente, mas explicou que não é todo lugar que comporta a estrutura. “A Av. Cardeal da Silva, por exemplo, é estreita. Colocamos mais em final de linha”, explicou. Ainda segundo Fábio Mota, o contrato de concessão termina em 2019 e, depois disso, será pensado o que deve ser feito. “Tem que aguardar para ver se renova ou faz outro tipo de modelo”, disse.

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