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Delação é retrato da ineficiência do estado para investigar, diz advogado

O advogado criminalista Gamil Föppel esteve na Rádio Metrópole na manhã desta terça-feira (18), no programa Seis em Ponto, e durante entrevista criticou duramente a forma como as delações premiadas realizadas na Operação Lava Jato têm sido conduzido. [Leia mais...]

[Delação é retrato da ineficiência do estado para investigar, diz advogado]
Foto : Divulgação

Por Laura Lorenzo no dia 18 de Abril de 2017 ⋅ 19:21

O advogado criminalista Gamil Föppel esteve na Rádio Metrópole na manhã desta terça-feira (18), no programa Seis em Ponto, e durante entrevista criticou duramente a forma como as delações premiadas realizadas na Operação Lava Jato têm sido conduzido. De acordo com Föppel, o estado está optando pela \'forma mais fácil\', sem levar em consideração as obrigatoriedades legais.

\'Hoje existe o que nós chamamos de prova diabólica, que é o sujeito precisar provar que não fez. Não tem como você provar que não fez alguma coisa; as pessoas é que precisam provar que você fez. Quem tem obrigação de provar é quem está acusando. Mas, hoje, uma planilha feita em uma tabela de word serve para poder dizer que houve uma prática de crime. Se você for transferir para o réu o ônus de provar que não fez, todas as pessoas vão ser condenadas\', disse.

Ainda de acordo com o criminalista, a delação é o \'reconhecimento da ineficiência do estado\'. \'Hoje, qualquer pessoa comum do povo sabe que pode fazer uma filmagem, uma gravação. Não é possível que não tenha nada que corrobore uma delação. Durante muito tempo, a confissão foi tratada como rainha das provas. A gente sabe que só confissão não serve de elemento para condenar ninguém. Hoje, a nova rainha das provas é a delação premiada. A delação é o reconhecimento da ineficiência do estado para poder investigar. Se o estado tivesse meios operacionais, meios sensíveis para investigar, as pessoas não precisavam se valer da colaboração de um réu delator\', criticou

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