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Com dívida de R$ 28 milhões e previsão de corte, Ufba luta para se manter

A maior instituição pública de ensino superior do nosso estado, a Universidade Federal da Bahia (Ufba), passa por um momento delicado. A universidade acumula uma dívida de R$ 28 milhões referente ao ano de 2014. [Leia mais...]

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Foto : Tácio Moreira/Metropress

Por Ticiane Bicelli no dia 28 de Maio de 2015 ⋅ 11:21

A maior instituição pública de ensino superior do nosso estado, a Universidade Federal da Bahia (Ufba), passa por um momento delicado. A universidade acumula uma dívida de R$ 28 milhões referente ao ano de 2014. A crítica situação financeira foi agravada por cortes nos repasses federais em cerca de 46% do orçamento.

O atual reitor da instituição, João Carlos Salles, que assumiu o cargo em agosto de 2014, afirmou ao Jornal da Metrópole que uma comissão de sindicância foi instaurada para verificar se houve algum problema relativo à aplicação de recursos. Além disso, um grupo de trabalho foi criado especificamente para avaliação dos contratos.

“Os contratos, às vezes, podem ultrapassar o nosso orçamento. O que posso antecipar é que, sem dúvidas, o que estava previsto a nível orçamentário não acompanhou o ritmo de expansão da universidade. O orçamento não contempla, por exemplo, um restaurante universitário capaz de servir mais refeições. A universidade aumentou bastante e precisamos de mais pessoal. Temos que ver o que podemos corrigir para dimensionar adequadamente os gastos com segurança, portaria etc”, afirmou.

Segundo o reitor, o estudo, que já teve o prazo vencido, deve ser concluído nos próximos dias. “Precisamos de uma análise mais cuidadosa para identificar onde aconteceu, por que aconteceu e como o déficit foi agravado com os cortes orçamentários. É uma comissão muito abalizada para fazer uma análise adequada”.


Ato público chamou a atenção para crise


Na última segunda-feira (25), o Ato Público em Defesa da Educação e da Universidade Pública, no Salão Nobre da Reitoria, buscou chamar a atenção e mobilizar a sociedade a respeito da situação financeira da instituição, que atualmente possui mais de 100 opções de curso nos campi da capital, de Barreiras e de Vitória da Conquista.

“Não é um pedido de socorro, é um gesto de luta. Já tínhamos herdado um montante bastante expressivo de custeio do ano passado em torno de R$ 25 milhões, e isso foi se arrastando este ano com o contingenciamento de recursos financeiros. Com o decreto da execução orçamentária, vamos brigar para que o MEC tenha sensibilidade”, disse o reitor.

 

"Recursos começaram a falhar"


O ex-governador e ex-reitor da Ufba, professor Roberto Santos, lamentou a situação da instituição que geriu entre os anos de 1967 e 1971. “Eu sempre acompanhei a universidade e nunca houve um quadro como esse, no qual os recursos públicos começam a falhar. A Bahia não pode aceitar essa situação. Tem que haver uma manifestação de toda a sociedade para mostrar que a instituição tem que ser alimentada e bem sustentada com o serviço que sempre prestou a toda a comunidade”, declarou.

De acordo com o atual reitor, o maior problema é não ter sequer verba para honrar as dívidas. “Precisamos ao menos pagar o que devemos para poder projetar melhor os passos seguintes em relação ao futuro da universidade”, lamento. Mesmo com o atual cenário, Salles garantiu o pleno funcionamento da instituição. “Auxílios e bolsas serão mantidos. Nossa decisão é que a assistência estudantil não seja prejudicada”, concluiu

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