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Demora na remoção de corpos irrita soteropolitanos; DPT só tem cinco veículos

“Já faz 48 horas e o corpo está no mesmo local. Já chamei todas as autoridades, fui no IML, em tudo que é canto. O corpo do meu filho está apodrecendo e ninguém faz nada”. O relato desesperado foi feito por Eliomar Santos, na quarta (23), na Rádio Metrópole. Morador da Ilha de Maré, Eliomar procurou ajuda após esperar mais de dois dias pela remoção do corpo do filho, Luiz Otávio dos Santos [Leia mais...]

[Demora na remoção de corpos irrita soteropolitanos; DPT só tem cinco veículos]
Foto : Tácio Moreira/Metropress

Por Bárbara Silveira no dia 31 de Agosto de 2017 ⋅ 14:34

“Já faz 48 horas e o corpo está no mesmo local. Já chamei todas as autoridades, fui no IML, em tudo que é canto. O corpo do meu filho está apodrecendo e ninguém faz nada”. O relato desesperado foi feito por Eliomar Santos, na quarta (23), na Rádio Metrópole. Morador da Ilha de Maré, Eliomar procurou ajuda após esperar mais de dois dias pela remoção do corpo do filho, Luiz Otávio dos Santos.

Pouco depois, o Coronel Uzêda, da Polícia Militar, entrou no ar e atribuiu a demora à falta de “condições de navegabilidade”. “Temos embarcações em Candeias e Mar Grande, mas elas não tinham capacidade para levar. A Marinha só pôde nos atender hoje pela manhã”, disse. Apesar de a Secretaria de Segurança Pública afirmar que o caso de Eliomar foi “pontual”, após a denúncia, outras pessoas procuraram a Metrópole com a mesma reclamação: a demora na remoção de corpos nos bairros de Salvador.

Demora é “recorrente” em São Marcos e região: “Problema doloroso”
Presidente da Associação de Moradores de São Marcos, Uellington Nascimento afirmou que o problema é frequente na região. O líder comunitário afirmou que a situação é pior na Avenida Gal Costa, que liga os bairros de São Marcos, Pau da Lima e Sussuarana. “Há cerca de 15 dias, teve um assassinato na Gal Costa e a Polícia Técnica demorou muito. Teve um engarrafamento danado, porque é uma via de trânsito, e os curiosos ainda ficam parando. Aí, além de tudo, engarrafa a avenida. Na Gal Costa sempre acontece isso. É um problema doloroso”, reclamou.

Corpos transportados pela área externa do IML
As famílias precisam lidar ainda com problemas estruturais no Instituto Médico Legal Nina Rodrigues, como o que aconteceu em julho deste ano, quando o prédio ficou sem energia e o funcionamento de elevadores foi interrompido. O transporte dos cadáveres entre um andar e outro precisou ser feito através de rampas na área externa do prédio. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, o IML possui um gerador, mas o “equipamento possue uma autonomia que foi ultrapassada naquele dia devido ao prolongado período de interrupção do serviço”.

Só cinco veículos fazem a remoção
Só cinco veículos — os populares ‘rabecões’ — realizam a remoção de corpos em Salvador. De acordo com o Departamento de Polícia Técnica, no caso de mortes violentas, o corpo só pode ser removido após a realização da perícia no local. “Só após a conclusão deste serviço, o automóvel de transporte das vítimas é acionado para a remoção de corpos. Logo, o intervalo entre o momento do crime e a remoção do corpo varia de acordo com a dinâmica do trabalho pericial e o trânsito na cidade de Salvador”, argumentou.

Segundo o Departamento, o caso de Ilha de Maré, foi uma situação “atípica”. “Claramente causada por questões naturais (maré alta) que impediram a retirada do corpo de maneira mais célere”, declarou o DPT, embora, em dois dias, tenham acontecido também dois ciclos completos de maré — o que desmente a justificativa da maré alta.
“Vale salientar que dois dias depois da dificuldade encontrada pelas equipes por conta das condições marítimas, ocorreu a tragédia na Baía de Todos os Santos”, completou o DPT.

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