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Único hospital de Vera Cruz está completamente abandonado

Equipamentos deteriorados, salas de cirurgia entregues ao mofo e muito descaso. Essa é a atual situação do Hospital Maria Amélia Santos, em Vera Cruz. Enquanto o espaço que já teve 55 leitos e realizava cirurgias e partos permanece fechado, a população do município amarga a ausência de hospitais. [Leia mais...]

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Foto : Tácio Moreira/Metropress

Por Bárbara Silveira no dia 22 de Agosto de 2015 ⋅ 12:30

Equipamentos deteriorados, salas de cirurgia entregues ao mofo e muito descaso. Essa é a atual situação do Hospital Maria Amélia Santos, em Vera Cruz. Enquanto o espaço que já teve 55 leitos e realizava cirurgias e partos permanece fechado, a população do município amarga a ausência de hospitais.
 
Inicialmente administrado por um grupo de freiras, o Maria Amélia passou a exercer trabalho filantrópico e, segundo a população, com atendimento de qualidade. Porém, em 2008, com a chegada do prefeito Magno do PT, o hospital foi municipalizado com o argumento de que estaria acontecendo exploração financeira — prática proibida à filantropia. 
De acordo com a presidente da Associação de Moradores de Vera Cruz, Lenise Ferreira, apesar dos repasses federais que deveriam ser destinados ao desenvolvimento e ampliação do espaço, foi a partir daí que o Maria Amélia começou a afundar.
 
“As melhorias não aconteceram, apesar de o hospital receber verbas federais do Fundo Nacional da Saúde. E nós não temos esse retorno na saúde do município. Até porque, há mais de quatro anos não nasce nenhuma criança no município, nenhum tipo de cirurgia ou atendimento ortopédico é feito”, denuncia. 
Segundo os moradores de Vera Cruz, desde 2008 a população precisa recorrer às Unidades de Pronto atendimento (UPA) ou ao Hospital de Itaparica para procurar por atendimento médico. 
 
Possível nova administração
 
Em visita ao hospital, que segundo a Associação de Moradores, segue fechado e sem realizar atendimentos há mais de quatro anos, o descaso com a saúde causou revolta. “O mofo tomou conta, as salas foram depredadas, não tem mais uma torneira. O Centro Cirúrgico está totalmente quebrado. É um quadro de abandono, de terror, em uma região onde as pessoas estão sofrendo para buscar atendimento médico. É um ato criminoso permitir que um espaço destinado à saúde chegue ao estado em que está o Hospital Maria Amélia Santos”, lamenta Lenise.
 
De acordo com a associação, a comprovação da falta de capacidade do município em administrar o espaço pode fazer com que ele volte ao antigo mantenedor. “A informação que temos é que, de fato, a gestão vai sair das mãos da Prefeitura. Espero que dessa vez seja em função da melhoria da saúde e que seja um equipamento destinado a atender a população”, diz a presidente. 
 
Recorde mundial de destruição
 
Apesar de as fotos deixarem bem clara a situação de abandono do hospital, segundo o prefeito de Vera Cruz, Magno do PT, a unidade funcionou normalmente até o dia 3 de agosto. 
Se isso realmente aconteceu, estamos diante de um recorde mundial de destruição, já que as fotos da página anterior chegaram à Metrópole no dia 4. “O hospital não está fechado há mais de quatro anos. Ele funciona como extensão da UPA. Ampliamos e interligamos o hospital à UPA e iniciamos uma atuação de policlínica”, afirma.
Questionado sobre o abandono da unidade, o prefeito confirma a situação das fotos, mas garante que o abandono só ocorre em algumas áreas. 
 
Lixo por toda a parte... e a culpa é do cidadão?
 
Deparar com pilhas de lixo ao longo das praias ou nas margens das estradas que cortam a Ilha é algo rotineiro. 
Questionado sobre a coleta de lixo, que é de responsabilidade da Prefeitura, Magno do PT preferiu se eximir da culpa e jogar o problema para o cidadão.
 
“Essa reclamação é em função da pouca disciplina das pessoas no horário adequado de se colocar o lixo. A coleta tem funcionado regularmente, o aterro tem funcionado regularmente. A estrutura de coleta de lixo está ampliada. Mas tem diversos locais onde as pessoas não se subordinam à rotina de coleta do lixo”, afirma.
 
Porém, segundo os moradores, a situação é bem diferente. “O lixo continua lá e não existe um programa voltado para a coleta. Em muitos municípios, o lixo é gerador de emprego e renda. No município de Vera Cruz, continua sendo apenas um transtorno”, critica a presidente da associação de moradores. 
 
“Salvador tem mais buraco”
 
Em maio de 2015, o Jornal da Metrópole denunciou, além da ausência da saúde pública em Vera Cruz, problemas de infraestrutura e segurança. Três meses depois, segundo os moradores, a situação é a mesma: lixo por toda a parte, buracos na maioria das vias e o número de crimes aumentando. 
 
Magno do PT alega que “Salvador tem mais buraco do que Vera Cruz” — como se isso não fosse esperado, uma vez que a cidade da Ilha tem só 28% da área da capital. “Estamos em estado de emergência por conta de um volume de chuva que há muito tempo a gente não tem”, argumenta. 

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