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Mercado Municipal de Cajazeiras: 2 anos em reforma 

A Superintendência de Obras Públicas (Sucop) não respondeu, mas o Diário Oficial do Município denunciou: a empresa vencedora da licitação foi a Qualy Engenharia

[Mercado Municipal de Cajazeiras: 2 anos em reforma ]
Foto : Valter Pontes/Secom

Por Alexandre Galvão no dia 19 de Setembro de 2019 ⋅ 09:00

Inaugurado com pompa e circunstância pela Prefeitura de Salvador em novembro de 2015, o mercado municipal de Cajazeiras revelou-se uma grande decepção. Antes de pegar fogo, em junho de 2017, já tinha pouca utilidade. Em uma das visitas do Jornal da Metrópole ao local, ficou claro que a população não tinha “comprado” a ideia. 

Além da falta de fregueses, os comerciantes que tentavam permanecer no mercado reclamavam da ausência de segurança e de infraestrutura básica para o comércio de frutas e verduras. O resultado? A volta, quase que cadenciada, para a “rótula da feirinha”, um espaço que disputa com carros e veículos grandes o espaço na rua já bastante engarrafada.

Não bastasse a queda, teve o coice: o incêndio inutilizou, por meses, toda estrutura do local, que já funcionava com percalços. Desde então, passados mais de dois anos, a prefeitura promete, promete e promete. O novo juramento é este: o segundo pavimento do local, mais prejudicado pelo fogo, será entregue novamente aos permissionários em dezembro deste ano. A Metrópole vai cobrar!

Mais promessas: Prefeitura-bairro e “Boca de Brasa”

Com o movimento bastante prejudicado, segundo a prefeitura por um fator “cultural”, já que as pessoas estavam acostumadas a encontrar os artigos na “rua” e não ter que entrar no mercado, a gestão municipal pretende entregar o novo local com uma prefeitura-bairro e um teatro “Boca de Brasa”, em uma clara descaracterização do projeto itinerante de cultura formulado pelo então prefeito da capital, Mário Kertész, em 1986. A princípio a prefeitura projetou também um cinema,
que saiu dos planos sem muitas explicações. 

Reforma custou mais de R$ 1,3 milhão aos cofres municipais

Com uma obra tão demorada, o Jornal da Metrópole quis saber quem executou e intervenção e quanto recebeu por isso. A Superintendência de Obras Públicas (Sucop) não respondeu, mas o Diário Oficial do Município denunciou: a empresa vencedora da licitação foi a Qualy Engenharia que, no contrato original, recebeu R$ 1,3 milhão para executar a reforma. O valor sairá integralmente das contas da Prefeitura Municipal de Salvador. 

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