Cidade

Jolivaldo Freitas: um dia de cão

Não se trata do filme estrelado por Al Pacino (Dog Day Afternoon) datado de 1975. É que ontem foi um dia de cão para qualquer pessoa que precisou sair de casa a qualquer hora para trabalhar, namorar, correr de marido enciumado, visitar o médico [Leia mais...]

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Foto : Tácio Moreira/Metropress

Por Jolivaldo Freitas no dia 10 de Junho de 2015 ⋅ 14:35

Não se trata do filme estrelado por Al Pacino (Dog Day Afternoon) datado de 1975. É que ontem foi um dia de cão para qualquer pessoa que precisou sair de casa a qualquer hora para trabalhar, namorar, correr de marido enciumado, visitar o médico, precisando de atendimento de emergência, se divertir, buscar o filho na escola, ir atrás da mulher para ver com quem ela está saindo, visitar obras, comprar tempero, procurar emprego ou ter reunião.

A cidade estava mais caótica do que nunca e não se pode acusar os rodoviários. Eles desta vez não estavam levando sua greve particular para o meio da rua. Falar nisso, a senhora já viu que eles agem como se tivéssemos culpa dos patrões questionarem suas aspirações. Como se fechando o trânsito e colocando terror na cidade, nós, simples cidadãos, fôssemos dar um jeito de aumentar os salários dos motoristas e cobradores ou tivéssemos o poder de destituir a diretoria do Sindicato dos Rodoviários contrários à sua chapa. A única coisa que eles conseguem é mostrar que todos têm razão quando acham motoristas de buzu uns neuróticos. Mais doidos que policial da Rondesp ou agente penitenciário.

A cidade estava uma piração só e todos os seus problemas viários, toda a sua falta de mobilidade que caracteriza uma espécie de labirinto grego em dias normais, foram aditivados pela chuva chata que caia sobre todos os bairros, sem nem aparecer uma nesguinha de azul ou um raíto del sol. Dei sorte porque no dia anterior mandei ajeitar o ar-condicionado do carro e havia colocado uns jazz no pen-drive. Fui dirigindo e ouvindo música, fazendo de conta que estava a passeio numa cidade bucólica.

Mas teve gente que se estressou. Meu amigo e colega Gerson Brasil falava comigo ao telefone enquanto aguardava atendimento num posto de gasolina e ouvi quando o frentista (palavra sulista pois aqui sempre foi bombeiro, mas a Globo nos influencia) perguntou:

- Dotô, quê que oi o nívi do oil? Não ouvi a resposta de Gerson pois mais uma a operadora Oi se ausentou do planeta Terra.

Depois ele me disse que o cara ainda colocou o óleo errado.

Imagine que fiz um trajeto de maluco e ficando ainda mais louco ouvindo as estações de rádio. Eu havia saído da Barra e ia pegar o Bonocô quando ouvi que a via estava congestionada e virei para a Vasco da Gama, quando fiquei sabendo pelo locutor que estava parada e voltei para o Bonocô e já ia pegando a BR em direção à Luiz Eduardo quando o motoqueiro da Metrópole falou para Bocão que estava tudo parado e virei em direção ao Iguatemi. Foi quando atentei que menos lento era mesmo a Luiz Eduardo e lá fiquei cercado de carro e olhando a chuva no para-brisa.

Todo mundo pegou trânsito ruim na Paralela, Imbui, Tancredo Neves, ACM, orla e até na Federação. Saí às nove horas da manhã, tive uma reunião de apenas hora e meia e cheguei em casa às quatro da tarde com a coluna lenhada e as pernas inchadas. Perguntei a um policial o que estava acontecendo na cidade e ele me disse que a Transalvador estava com algum tipo de operação no viaduto Raul Seixas. Eu pensei: do jeito que a cidade tem ficado o pessoal da Transalvador está fumando a mesma coisa que o “Maluco Beleza” fumava.

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