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Cultura

Tradutor avalia 'urgência política' e 'questão mercadológica' para novas edições das obras de George Orwell

Trabalho do escritor inglês entrou em domínio público desde o início do ano

[Tradutor avalia 'urgência política' e 'questão mercadológica' para novas edições das obras de George Orwell]
Foto : Metropress

Por Matheus Simoni no dia 25 de Janeiro de 2021 ⋅ 09:24

As novas traduções do escritor inglês George Orwell começaram a ser publicadas neste ano após o trabalho dele entrar em domínio público. É o caso dos clássicos "1984" e "A revolução dos bichos". Responsável pela tradução dos livros, Alexandre Barbosa de Souza comentou a importância da obra para os dias atuais. Em entrevista a Mário Kertész hoje (25), durante o Jornal da Bahia no Ar da Rádio Metrópole, ele citou a questão mercadológica e o panorama político para o ressurgimento de Orwell.

"Todas as editoras podem publicar sem pagar a ninguém. Várias editoras, entre meus amigos, três deles também traduziram. Me pediram para traduzir, já existe, mas seria um prazer. É um autor que gosto, polêmico e está entrando na discussão contemporânea de novo. Apesar de ter várias, a minha tradução é do século XIX. Foi uma novidade para mim, não costumo traduzir muitos autores do século XX", comentou. 

Ainda segundo Alexandre, o surgimento de governos autoritários também incitou o ressurgimento dos livros de George Orwell entre os mais pesquisados para leitura. "Tem também a urgência política de ver vários países com governos de extrema-direita. Isso está pegando o mundo inteiro. Está começando uma reversão disso, mas acho que tem a ver. São dois livros que instigam a rebeldia. No caso da Revolução dos Bichos, é uma rebeldia mais alegórica. No caso do 1984, é mais triste e histórica, no sentido de ser um personagem principal. Um cara que fica trabalhando com a revisão da verdade", disse o tradutor, que viu semelhanças com o atual momento do Brasil. "É tipo o gabinete do ódio", ironizou.

"Tem muito a ver com esse tipo de opressão que a gente está vivendo. No Brasil, que ainda não é a Inglaterra do futuro, é mais triste. As pessoas não transam e é super deprimida a vida. É como se fosse a Damares controlando a vida", acrescentou Alexandre. 

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