Cultura

Em tempos 'duros', Fernando Vita diz ter escrito 'República dos Mentecaptos' para 'se distrair'

Obra será lançada amanhã (12), em Salvador

[Em tempos 'duros', Fernando Vita diz ter escrito 'República dos Mentecaptos' para 'se distrair']
Foto : Matheus Simoni/Metropress

Por Juliana Almirante no dia 11 de Setembro de 2019 ⋅ 12:19

O escritor, jornalista e conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), Fernando Vita, falou em entrevista à Rádio Metrópole hoje (11), sobre o livro "República dos Mentecaptos", que será lançado em Salvador amanhã (12) e já está disponível para venda em lojas digitais

Para ele, escrever a obra foi uma forma de distrair a si mesmo e aos leitores, diante do atual cenário político e institucional brasileiro. 

"Alguém perguntou, na semana passada, se eu escrevi esse livro focado no momento atual do Brasil e do mundo. Aprofundando-se na pergunta, me perguntaram porque eu escrevi o livro. Talvez esperasse que eu fosse dizer que o Brasil está passando um perrengue político e institucional terrível. Os momentos são muito duros, mas eu respondi: 'Escrevi para me distrair. Para tentar distrair os outros'. Se eu conseguir distrair meus poucos leitores, já me dou por satisfeito", afirmou.

A história de ficção se passa em uma cidade chamada "Todavia", que já estava presente em outros romances do autor. 

"Me veio a ideia de colocar 'Todavia', porque imaginava uma cidadezinha do Recôncavo Baiano a qual tinha acesso a outras estradas, como se fosse um centro. Todas as vias iam dar lá. Hoje sou apaixonado por 'Todavia'", disse o escritor.

Vita conta que a obra de ficção também tem caráter autobiográfico em alguns momentos. Ele mesmo aparece como personagem, um porta-voz do governo. Assim como os outros personagens, Vita também é alvo do próprio humor.

"Mas que moral teria se eu tirasse sarro dos outros e não tirasse de mim mesmo? Começo me 'auto-esculhambando', pois é uma forma de ter um pouquinho de moral para esculhambar um pouco também os outros. Tudo com muito bom humor', relata.

O autor diz ainda que o livro não pretende ser um relatório de histórias do ex-governador Antônio Carlos Magalhães, também personagem da obra. ACM aparece em atitudes e gestos de outros personagens, como o prefeito da cidade de "Todavia", Augusto Braga. 

"Ele (Augusto) quer ser o Antônio Carlos, digamos, 'cagado e cuspido'. Se esforça muito e se empenha didaticamente para ser uma réplica do ACM. Também por via dele, muitas coisas que ele faz, inclusive no capítulo do namoro, muitas dessas coisas se manifestam como originariamente feitas pelo ACM original", conta Vita.

Serviço

Lançamento de "República dos Mentecaptos", de Fernando Vita
Local: Loja Saraiva do Salvador Shopping, em Salvador
Data: 12 de setembro, às 18h

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