Cultura

Maestro detalha ópera em homenagem a Irmã Dulce: 'História de luta e muito heroica'

Espetáculo será executado na Sala Palestrina, no Palazzo Pamphilj, atual sede da Embaixada Brasileira, em Roma

[Maestro detalha ópera em homenagem a Irmã Dulce: 'História de luta e muito heroica']
Foto : Reprodução/ Youtube

Por Juliana Almirante no dia 10 de Outubro de 2019 ⋅ 12:20

O maestro, compositor e pianista baiano Roberto Laborda detalhou, em entrevista à Rádio Metrópole hoje (10), como foi a criação da ópera que compôs em homenagem à Irmã Dulce.

O espetáculo será executado na Sala Palestrina, no Palazzo Pamphilj, atual sede da Embaixada Brasileira, em Roma, como parte da celebração da canonização da freira. 

"A história da ópera começou há muitos anos, quando eu ainda morava em Salvador, e mais ou menos em 1997, em fiz uma canção para Irmã Dulce, alguns anos depois da morte dela. Depois que vim estudar na Europa, comecei a gostar do gênero ópera e ampliar projeto de fazer canção e uma coisa mais ampla, com mais árias, com uma história incluída dentro do contexto das Obras Sociais Irmã Dulce (Osid). Comecei a desenvolver a ideia, porque achei que a história dela merecia. É uma história de luta e muito heroica. E foi assim basicamente", contou. 

Segundo o compositor, são quatro personagens principais que integram a ópera: Irmã Dulce, o barão que seria um dos proprietários da casa da Ilha dos Ratos; uma mulher chamada "Gabriela" e o médico Julio Davi, que ajudava a freira com os doentes. 

"Esses personagens fazem homenagem a algumas pessoas que passaram na minha vida e trajetória profissional também. Fiz para homenagear essas pessoas e inseri nesse contexto da vida cultural baiana e da criação das Obras Sociais", explica.

Ele afirma que fez o libreto e também compôs a canção da ópera que pretende narrar uma história ficcional que permeia a trajetória real da religiosa que criou as Obras Sociais Irmã Dulce (OSID). 

"Então, dentro da trajetória de Irmã Dulce para criar Obras Sociais, também acontece uma história de amor entre moradora de rua e um dos fictícios donos da casa da Ilha dos Ratos, primeiro lugar que ela tentou botar os doentes. Então surge história de amor quase impossível para a época, mas depois tudo se sai bem. Eles se apaixonam e coisa vai adiante. Quis demonstrar também o potencial dela, quis fazer um pincelada de tudo que ela representou para a vida das pessoas e mudou o comportamento e foi um elemento de coesão social, em uma época de tanta desigualdade", diz o maestro.

A obra tem dois atos e dura uma hora e 40 minutos, mais curta do que as óperas antigas. "No primeiro ato, enfoca na criação das Obras Sociais e no segundo ato, enfoca mais na doença de Irmã Dulce, quando ela começa a ter problemas respiratórios. E depois com a morte dela. A obra termina com a Ave Dulce, que é oração a Deus, um pedido para que receba ela no céu", afirma. 

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