Economia

Ex-presidente do BNDES nega 'mutreta' em escolha de empresa americana para abrir 'caixa-preta' do órgão

Paulo Rabello de Castro justifica que a investigação tinha que ganhar força nos EUA, onde JBS tem mais de metade do faturamento

[Ex-presidente do BNDES nega 'mutreta' em escolha de empresa americana para abrir 'caixa-preta' do órgão]
Foto : Tania Rêgo/ Agência Brasil

Por Juliana Almirante no dia 24 de Janeiro de 2020 ⋅ 11:55

O economista e ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Paulo Rabello de Castro negou, em entrevista à Rádio Metrópole hoje (24), que teria ocorrido manobra na escolha da empresa americana Cleary Gottlieb Steen & Hamilton LLP para produzir uma auditoria que para abrir a "caixa-preta" da estatal

A apuração foi iniciada no governo do ex-presidente Michel Temer, quando Rabello era presidente do BNDES. Ele explica que uma dos principais objetivos da auditoria era apurar possíveis irregularidades em operações da empresa JBS.

"Porque o escritório Cleary Gottlieb Steen em Nova York? Mais uma mutreta, porque era fora dos controles brasileiros? Porque a JBS tinha mais de 50% do seu faturamento nos EUA, onde opera, então a investigação tinha que ganhar força nos EUA. Por isso, apenas escritórios especialistas de lá podem abrir documentos e estar em contato com instituições bancárias e fazer todos os cruzamentos de informações", explica. 

Ele voltou a dizer que ficou "surpreso" com o valor que a investigação custou aos cofres públicos, de R$ 48 milhões. Segundo Rabello, na sua gestão na estatal, foi estabelecido um teto de um quarto desta quantia.

"Foi surpresa para nós verificar que, nas gestões seguintes, principalmente na própria gestão atual de Bolsonaro, o número foi multiplicado. Por isso que nós todos estamos solicitando ao banco que esclareça porque esse número se agigantou. Agora o resultado da investigação foi importante, porque mostrou que não houve irregularidade grave por parte do banco nem por parte da companhia em suas atividades comerciais. Isso mostra que nem tudo está perdido no país", destaca.

Conforme reportagem do Estadão, considerando que o relatório da auditoria tem oito páginas, seria como se cada página custasse R$ 6 milhões. "Não é por aí", criticou Rabello. Ele afirma que foi feita uma investigação minuciosa para chegar às conclusões resumidas no documento final.

"Centenas e milhares de documentos foram cruzados, com informações de funcionarios diretamente ou indiretamente envolvidos, com as chamadas telefônicas", completou. 

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