Editorial

Fala de Bolsonaro sobre pai de presidente da OAB é 'leviandade total', diz MK; ouça

Em comentário na Rádio Metrópole, Mário Kertész também se disse "incomodado" com os fatos recentes, mas voltou a afirmar que tenta transformar a tristeza em alegria

[Fala de Bolsonaro sobre pai de presidente da OAB é 'leviandade total', diz MK; ouça]
Foto : Tácio Moreira / Metropress

Por Metro1 no dia 30 de Julho de 2019 ⋅ 08:54

Os ataques do presidente Jair Bolsonaro ao presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz, foram o tema do comentário de Mário Kertész, hoje (30), na Rádio Metrópole. MK se mostrou revoltado com as declarações de Bolsonaro e avaliou que o chefe do Executivo nacional trouxe à baila o desaparecimento de Fernando Santa Cruz, pai do líder da OAB, "para machucar mesmo".

"O presidente fala isso, assim, eu não consigo perceber o que passa pela cabeça dele. A falta de sentimento. Cristão? Deus acima de tudo? Que Deus é esse que não é misericordioso? Que Deus é esse que quer trazer um sentimento assim? O pai dele teve a vida ceifada por acreditar em um país mais justo. Alguns queriam uma ditadura do proletariado, outros não. Eu vivi nesse momento. Protegi muita gente. Tinha gente que queria democracia, sair da ditadura que censurava, prendia", recordou.

MK também mencionou a transmissão ao vivo na qual Jair Bolsonaro aparece cortando o cabelo e classificou como "uma leviandade total" a declaração, dada pelo presidente durante a live, segundo a qual Fernando foi morto pela esquerda. Kertész frisou, no entanto, que a maior parte da população ainda apoia o governo.

"Um amigo me lembrou que a classe média alta continua apoiando. Um amigo médico, tem um grupo com pessoas com mais de 70 anos, mais de 90% do grupo é bolsonarista e apoia tudo. Quem é contra como eu, que não está satisfeito... Os incomodados que se mudem. (...) Não estou aqui para fazer oposição sistemática. O que o governo fizer bem, tem meu apoio. Agora, cadê Queiroz? (...) O dinheiro na conta da primeira-dama, ninguém esclareceu. E ainda vem o presidente do STF e suspende investigações do Coaf. Recorrer a quem? A que instância? Não temos. Vamos nessa. É isso que a gente está vivendo. Vamos ver. Nada como um dia depois do outro, com a noite no meio", afirmou.

Kertész se disse "incomodado, abusado e vilipendiado" com os fatos recentes, mas voltou a afirmar que tenta transformar "uma profunda tristeza" em alegria. "Eu penso que tudo isso é uma comedia, pastelão, mas comédia. E vai durar um grande tempo. Não sei nem se estarei vivo para ver o fim dessa comédia, mas vou tentar", analisou.

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