Editorial

Clima entre Moro e Bolsonaro está 'péssimo', avalia MK; ouça

Em comentário na Rádio Metrópole, Mário Kertész citou as queimadas na Amazônia e questionou "o que há de novo" no Brasil: "A impunidade continua, é isso que a gente quer? É essa a política nova?"

[Clima entre Moro e Bolsonaro está 'péssimo', avalia MK; ouça]
Foto : Tácio Moreira / Metropress

Por Metro1 no dia 23 de Agosto de 2019 ⋅ 08:37

A piora da relação do presidente Jair Bolsonaro com o ministro da Justiça, Sergio Moro, foi um dos assuntos do comentário de Mário Kertész na Rádio Metrópole, na manhã de hoje (23). Na avaliação de MK, Moro "toma bola nas costas" o tempo todo e não consegue fazer nada enquanto ministro.

"O que continua queimando é a relação entre o presidente Bolsonaro e o ministro da Justiça, Sergio Moro, que chegou todo cheio de coisa, todo poderoso, e que agora já não está do mesmo jeito. O presidente foi claro: ele quer mudar o delegado da Polícia Federal do Rio de Janeiro. Os delegados se rebelaram. Ele disse: 'Bom, eu não posso mudar delegado? Então eu mudo o diretor-geral da PF, que quem nomeia sou eu, quem escolhe sou eu, e não o ministro Moro'. Quer dizer, não precisa sinal mais evidente do que esse de que o clima entre eles está péssimo. E Moro deixou uma carreira de juiz, super-herói nacional, para se desgastar desse jeito", afirmou.
Kertész também falou sobre a situação da economia em meio à instabilidade política e institucional. "Eu não sou dono da verdade, não sou pitonisa, mas eu disse: enquanto tiver esse tipo de briga, de disputa com Receita Federal, Polícia Federal, Coaf, não há ambiente de segurança institucional para crescimento da economia. E os solavancos são esses: o dólar vai lá em cima, melhora um pouquinho, as ações caem, e a economia continua parada, o desemprego continua imenso e a gente não vê nenhuma perspectiva. (...) São tantas interrogações que não adianta o Posto Ipiranga, o ministro Paulo Guedes pensar que anunciando privatizações ele vai resolver esse problema. Pelo menos, até agora não", analisou.

MK citou as queimadas na Amazônia e lembrou a impunidade de crimes como o assassinato do ator Rafael Miguel, além do eterno sumiço do ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz. Ele questionou "o que há de novo".

"A impunidade continua, é isso que a gente quer? É essa a política nova? Não é triste a gente ver, por exemplo, a Universidade Federal da Bahia não poder dar aula de noite, ter que suspender as aulas porque não tem dinheiro pra pagar vigilante? Vocês estão satisfeitos com isso? Vocês acham que isso é bom pro Brasil, é bom pro futuro? Tem muita gente que diz 'Ah, mas qual é a alternativa? É botar os ladrões, o PT?'. Não, não tinha só essa alternativa. Agora, a alternativa que a gente tem é apoiar o que está certo, combater com vontade e firmeza o que está errado e lutar para que dias melhores apareçam aqui no Brasil", disse.

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