Editorial

'Estamos castrando o futuro do Brasil', diz MK sobre cortes em bolsas de pesquisa; ouça

"Tem R$ 2,5 bilhões para eleição, mas não tem dinheiro para fazer pesquisa", criticou Mário Kertész, em comentário na Rádio Metrópole

['Estamos castrando o futuro do Brasil', diz MK sobre cortes em bolsas de pesquisa; ouça]
Foto : Tácio Moreira / Metropress

Por Metro1 no dia 03 de Setembro de 2019 ⋅ 09:09

Em comentário na Rádio Metrópole, na manhã de hoje (3), Mário Kertész abordou os principais assuntos do noticiário político nacional e se mostrou inconformado com a suspensão de bolsas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Para MK, a decisão é uma forma de "castrar" o futuro do Brasil e entra em contradição com a destinação de verbas públicas para outros fins.

"Não tem dinheiro para pagar bolsistas, pessoas que estão estudando aqui e fora daqui vão ter que parar, e o Brasil vai parar. Agora, tem dinheiro, por exemplo, para o fundo eleitoral do próximo ano, de R$ 2,5 bilhões. Os partidos que vão receber mais são o PSL e o PT, em função do número de parlamentares. Mas R$ 2,5 bilhões tem para eleição, mas não tem dinheiro para fazer pesquisa, vão suspender pesquisas feitas em institutos públicos, feitas por bolsistas no exterior. São coisas difíceis de serem assimiladas. (...) Que Brasil estamos construindo para o futuro? O sujeito que está estudando, fazendo graduação, pós-graduação, o resultado do trabalho dele vem ao longo do tempo. Mas nós estamos cortando, castrando o futuro do Brasil", disse.

Outro fato citado por Kertész como contraditório em relação ao discurso de "crise fiscal" foi a viagem de férias da esposa do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, de "carona" em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB). "Eu vejo aqui que o chanceler Ernesto Araújo foi para a França. E precisava ir num avião da FAB? Por que ele não podia pegar um voo de carreira? Vocês sabem quanto deve custar uma viagem dessa? (...) E mais, ele leva a esposa dele, que é funcionária do Itamaraty também, mas estava de férias, ela foi passear em Paris enquanto ele trabalhava. (...) Quer dizer, não tem dinheiro para educação, pesquisa, muitas coisas, mas tem dinheiro para os nossos mangangões continuarem usando nosso dinheiro para voar, para passear", lamentou.

MK elogiou a decisão do governo de implantar a carteira estudantil digital, sem deixar de ponderar que a intenção é enfraquecer a União Nacional dos Estudantes (UNE), que tem na emissão do documento uma de suas principais fontes de renda. Ele frisou, no entanto, que vai continuar criticando o que a gestão do presidente Jair Bolsonaro fizer de errado. "Eu vou continuar falando. Não tem esse negócio não. O que é que a imprensa é, é um armazém de secos e molhados, que tudo faz e tudo aplaude? Essa é a velha tática que começou lá com [o presidente norte-americano] Donald Trump, dizer que a imprensa é contra os americanos", afirmou.

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