Editorial

Bolsonaro busca 'perseguir alguém' mesmo quando faz algo positivo, diz MK; ouça

"Presidente, faça coisa boa, mas não precisa ficar dizendo que está fazendo para alfinetar, perseguir, sacanear. Pra quê?", questionou, em comentário na Rádio Metrópole

[Bolsonaro busca 'perseguir alguém' mesmo quando faz algo positivo, diz MK; ouça]
Foto : Tácio Moreira / Metropress

Por Metro1 no dia 05 de Setembro de 2019 ⋅ 09:12

Em comentário na Rádio Metrópole, na manhã de hoje (5), Mário Kertész analisou decisões recentes do presidente Jair Bolsonaro e avaliou que, embora algumas medidas sejam positivas em um âmbito geral, o chefe do Executivo nacional sempre faz questão de mostrar que elas são tomadas para "perseguir ou penalizar" grupos ou indivíduos. MK citou como exemplo o fim da obrigatoriedade de publicação de atas e balanços de empresas em jornais impressos, além do anúncio recente da MP da carteira estudantil digital.

"Quando ele tirou a obrigatoriedade de publicação de atas e balanços em jornais impressos, ele facilitou, diminuiu o custo de empresas, o que é positivo. Mas fez com o objetivo de enfraquecer a imprensa escrita ou fazer com que ela deixe de existir. Agora, está criando uma carteira de estudante digital. Ótimo. Durante anos nós falamos aqui [na Metrópole] de um comércio espúrio, que fez com que vários espetáculos musicais e teatrais deixassem de existir, sobretudo aqui na Bahia, um dos estados onde havia maior número de carteiras de estudante falsas. (...) Ele fez uma coisa boa, eu elogiei e elogio. Mas ele diz 'isso é para tirar o dinheiro da UNE [União Nacional dos Estudantes], que fica fazendo protestos contra mim'. Quer dizer, presidente, faça coisa boa, mas não precisa ficar dizendo que está fazendo para alfinetar, perseguir, sacanear. Pra quê?", disse.

Outra atitude de Bolsonaro criticada por MK foi o ataque ao pai da ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, que hoje dirige o Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas (ONU) para Direitos Humanos e Democracia. O presidente brasileiro chamou o militar Alberto Bachelet de "comunista", por ter se posicionado contra o regime ditatorial de Augusto Pinochet, em resposta a críticas da ex-mandatária sobre o "encolhimento do espaço democrático" no Brasil.

"O governo de Salvador Allende, derrubado por Pinochet em 11 de setembro de 1973, era absolutamente democrático. Socialista, mas democrático. O Congresso funcionando, tudo funcionando normalmente. Mas estávamos no auge da Guerra Fria, e a CIA começou a criar problemas para o Chile. (...) Aí ele faz uma declaração dessa, que atinge o pai de Bachelet. O próprio presidente do Chile, que é de direita e coligado com ele, disse 'não aceito isso'. A reação foi no mundo todo. É isso que o Brasil precisa?", questionou.

Citando Millôr Fernandes, Kertész frisou que continuará fazendo críticas às decisões do governo que tiverem impacto negativo. "Ninguém vai contar comigo para ficar caladinho, dizendo que é bom, ou ficar com medo das pessoas que ficam dizendo 'ah, aí é puxadinho do PT'. Não. A imprensa que não faz oposição não é imprensa, é um armazém de secos e molhados. Como aqui ainda não é um armazém, nós vamos continuar fazendo oposição ao que merece oposição", ressaltou.

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