Editorial

MK diz que democracia brasileira vive 'dificuldades' e critica 'censura' a Marighella; ouça

Em comentário na Rádio Metrópole, Kertész também fez críticas ao projeto de lei municipal que proíbe o tradicional arrastão da Quarta-Feira de Cinzas: "Festival de besteira"

[MK diz que democracia brasileira vive 'dificuldades' e critica 'censura' a Marighella; ouça]
Foto : Tácio Moreira / Metropress

Por Metro1 no dia 13 de Setembro de 2019 ⋅ 08:44

Em comentário na Rádio Metrópole, na manhã de hoje (13), Mário Kertész voltou a demonstrar preocupação com a democracia brasileira, diante das notícias recentes. MK citou os discursos da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e do ministro decano do Supremo Tribunal Federal, Celso de Mello, e afirmou que nunca antes tantos representantes de instituições se manifestaram em prol do regime democrático.

"Quando o regime democrático está funcionando tranquilamente, não há essa necessidade de todo mundo dizer 'olhe, vamos tomar cuidado, olhe, é preciso preservar a democracia'. Quando a gente diz isso, é porque na realidade nós estamos vivendo uma fase de dificuldades e inseguranças institucionais, o que eu acho terrível", analisou.

MK classificou como uma forma de censura o fato de a estreia do filme "Marighella", dirigido por Wagner Moura, ter sido inviabilizada por questões burocráticas da Agência Nacional do Cinema (Ancine). "Alguém tem alguma ideiazinha do que pode ser? Lembro que durante a ditadura militar, eu era casado com [a artista plástica] Eliana Kertész, nós viajávamos muito para o exterior, e íamos assistir filmes que eram proibidos no Brasil. Em Buenos Aires, antes da ditadura chegar lá, em Paris, em Roma, onde assisti, por exemplo, a 'O Último Tango em Paris'. Livros, a gente tinha que comprar fora do Brasil. Vamos voltar a isso, né? Quer dizer, tem um filme, uma obra de arte que está sendo censurada", apontou.

Citando a obra "Febeapá - O Festival de Besteira que Assola o País", de Stanislaw Ponte Preta, Kertész ainda fez críticas ao projeto de lei municipal que estabelece a proibição do tradicional arrastão da Quarta-Feira de Cinzas em Salvador. "Quero ver se o prefeito vai sancionar essa lei. Não sei nem quem é que inventou isso, isso é um festival de besteira. Stanislaw Ponte Preta, se estivesse vivo, estaria falando do Febeapá, o festival de besteira que assola o país. 'Quarta-feira de Cinzas, todo mundo com cinza na testa, na igreja, se arrependendo dos pecados, da profanação, do sexo desembestado e desenfreado provocado nos dias em que o demônio dominou a cidade do Salvador'", debochou.

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