Editorial

Flexibilização da lei eleitoral é 'imoralidade', diz MK; ouça

Em comentário na Rádio Metrópole, Mário Kertész ainda lembrou que o ex-presidente Michel Temer teve "participação ativa" no impeachment de Dilma Rousseff

[Flexibilização da lei eleitoral é 'imoralidade', diz MK; ouça]
Foto : Tácio Moreira / Metropress

Por Metro1 no dia 17 de Setembro de 2019 ⋅ 08:53

Em comentário na Rádio Metrópole, na manhã de hoje (17), Mário Kertész fez duras críticas ao projeto de lei que flexibiliza as regras eleitorais, previsto para ser votado pelo Senado nesta terça, de olho na eleição de 2020. Entre outras alterações, a matéria prevê alterações para o limite de gastos de campanhas e torna facultativo o uso do sistema de prestação de contas da Justiça Eleitoral, o que acaba com a padronização e dificulta a checagem das informações entregues pelos partidos.

"Eu fiquei alarmado com a lei que foi aprovada pela Câmara e seguiu para o Senado, relaxando absurda e totalmente os controles que existiam a respeito do fundo partidário e do fundo eleitoral. (...) O que aprovaram na Câmara e que vai começar a ser debatido hoje no Senado é mais uma imoralidade", afirmou.

MK também comentou a declaração do presidente Jair Bolsonaro, que endossou o posicionamento do filho, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), sobre não ser possível transformar o Brasil por vias democráticas. "O que Carlos disse é o seguinte: na democracia não consegue se resolver o que o povo quer em tempo hábil. O que eu acho interessante é que Carlos Bolsonaro teve, não sei como, uma procuração do querer do povo brasileiro. (...) Na democracia é muito difícil mudar, porque tem que ir pro Congresso, tem que discutir, tem que ver se é legal. Pode ser aprovado no Congresso, sancionado pelo presidente e o Supremo Tribunal Federal dizer que é ilegal. Então, numa ditadura é muito mais fácil. Faz um decreto, uma medida provisória, um cacete que seja, e estamos conversados", disse.

Outro assunto abordado foi a declaração do ex-presidente Michel Temer sobre não ter se empenhado para um "golpe" contra a ex-presidente Dilma Rousseff, em entrevista ao programa Roda Viva, ontem (16). MK lamentou a memória curta da imprensa e relembrou fatos que indicam "participação ativa" de Temer. "Teve nada a ver não, né? Aquelas cartas que ele mandou para Dilma, o plano de governo, lembram disso? Vocês esquecem fácil das coisas, né? (...) Um dos males da nossa imprensa, incluindo nós aqui, é que a gente esquece de coisas que passaram há pouco tempo. O processo de derrubada de Dilma teve participação ativa de Michel Temer, PMDB, Eduardo Cunha, e teve esse documento, que eu me lembro, rapaz! Parecia que ia levar a gente para o Nirvana", ironizou.

MK encerrou o comentário com elogios ao humorista e ator Gregório Duvivier, que comanda o programa Greg News, na HBO, e lembrou que ainda vivemos em uma democracia. "Pode até ter muita gente querendo que a gente vá para a ditadura, mas não estamos vivendo uma ditadura, não. Porque nós aqui temos liberdade de falar o que falamos", afirmou.

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