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Diretoria do Vitória oculta contratos e pode perder benefício do Profut

Uma grave denúncia abalou os bastidores do Esporte Clube Vitória na terça (11): em entrevista a Mário Kertész, na Metrópole, o presidente do Conselho Fiscal do rubro-negro, Cristóvão Rios, fez uma série de denúncias sobre contratos do clube.Segundo Rios, o presidente do Vitória, Raimundo Viana, e o vice, Manoel Matos, estão fazendo pagamentos e firmando contratos do projeto da Arena Barradão passando por cima do Conselho — e, assim, omitindo dos torcedores decisões importantes para o futuro do Leão. [Leia mais...]

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Foto : Tácio Moreira/Metropress

Por Matheus Simoni no dia 13 de Outubro de 2016 ⋅ 16:00

Uma grave denúncia abalou os bastidores do Esporte Clube Vitória na terça (11): em entrevista a Mário Kertész, na Metrópole, o presidente do Conselho Fiscal do rubro-negro, Cristóvão Rios, fez uma série de denúncias sobre contratos do clube.Segundo Rios, o presidente do Vitória, Raimundo Viana, e o vice, Manoel Matos, estão fazendo pagamentos e firmando contratos do projeto da Arena Barradão passando por cima do Conselho — e, assim, omitindo dos torcedores decisões importantes para o futuro do Leão.

Segundo Rios, a diretoria já usa o patrimônio financeiro do clube para pagar contratos que não foram revelados nem ao Conselho Fiscal — o que gera suspeitas. “A obra da Arena Barradão, de R$ 270 milhões, é precipitada. Deveriam antes consultar os conselhos Deliberativo e Fiscal. No Vitória não tem transparência. Os contratos foram anunciados no dia 13 de julho. Matos disse que já tinha gasto mais de R$ 1 milhão em projetos para a Arena. No dia 14, pedimos as cópias dos contratos ao presidente e ele não respondeu”, disse Rios. Nos bastidores, conselheiros também questionam a não divulgação do novo contrato de direitos de transmissão com a TV Globo. 

Clube pode perder ajuda do Profut se não der autonomia ao conselho fiscal

O alerta do coronel Cristóvão Rios pode gerar problemas nas contas do Vitória e na adesão do clube ao
Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut). O projeto, que tem como objetivo refinanciar dívidas de clubes brasileiros em um prazo de 20 anos, exige uma série de ações de transparência administrativa — o que o clube já começa a desobedecer. Para se adequar ao Profut, o Vitória deve comprovar, por exemplo, a autonomia do Conselho Fiscal e a relação de operações de antecipação das receitas, assinadas pelos dirigentes e autorizadas pelo Conselho Fiscal.

Viana infringiu estatuto, diz presidente do Conselho

Em entrevista à Metrópole, Cristóvão Rios também criticou o fato de que a diretoria desobedeceu o estatuto do clube ao não publicar uma nota num jornal de grande circulação anunciando uma concorrência
administrativa para o projeto da Arena Barradão. Segundo Rios, o vice-presidente do clube, Manoel Matos,
declarou a uma rádio de Salvador que o Vitória contratou oito empresas para modernizar o estádio. A divulgação da concorrência, porém, nunca teria sido feita. “Não temos conhecimento de publicação
desta nota”, afirmou o presidente do Conselho Fiscal.

Vitória alega foco na Série a e se cala

Procurada pelo Jornal da Metrópole, o Esporte Clube Vitória preferiu não comentar as acusações. Via assessoria de imprensa, o rubro-negro afirmou que “a diretoria vai se resguardar”
por causa do “momento decisivo na temporada” que vive a equipe. Atualmente, o Rubro-Negro
briga contra o rebaixamento à Série B e pode entrar na zona da degola já na próxima rodada. De 29 jogos disputados, o Leão só venceu nove.

Comissão eleitoral é formada; voto direto ainda é incerto

As eleições do clube também são alvo de disputa entre Conselho Fiscal e diretoria. “É lamentável.
Raimundo Viana e José Rocha [presidente do Conselho Deliberativo] são responsáveis por não ter eleições diretas no Vitória”, criticou Rios. Prevista para dezembro, a eleição está cercada de incerteza. A indefinição paira sobre a possibilidade de o sócio-torcedor poder votar ou não no candidato a presidente. A Assembleia-Geral Extraordinária que definiu o novo estatuto do clube, ano passado, foi anulada pela Justiça em janeiro. Um mandado de segurança tenta restabelecer o novo estatuto, mas, segundo José Rocha, se o recurso não for julgado a tempo, as eleições serão mesmo indiretas.

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