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Presidente do Vitória rebate acusações, cita erros e fala em escrever livro

"Coisa pequena". Foi desta maneira o presidente do Vitória, Raimundo Viana, classificou as declarações do presidente do Conselho Fiscal do clube, Cristóvão Rios, nas últimas edições do Jornal da Metrópole. Em xeque estão os contratos a da futura Arena Barradão e a participação do clube no Profut, programa de benefícios do governo federal. [Leia mais...]

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Foto : Tácio Moreira/Metropress

Por Matheus Simoni no dia 27 de Outubro de 2016 ⋅ 07:02

"Coisa pequena". Foi desta maneira o presidente do Vitória, Raimundo Viana, classificou as declarações do presidente do Conselho Fiscal do clube, Cristóvão Rios, nas últimas edições do Jornal da Metrópole. Em xeque estão os contratos a da futura Arena Barradão e a participação do clube no Profut, programa de benefícios do governo federal.

Viana recebeu a equipe da Metrópole e rebateu as críticas à sua atual gestão. Segundo ele, os contratos do clube sempre estiveram disponíveis. "Se você tivesse alguma coisa para esconder, você tomaria a iniciativa de mostrar a coisa errada?", questionou o presidente, ao apresentar um ofício assinado por Rios no dia 30 de agosto deste ano. O documento aponta uma decisão do clube de tornar disponíveis todos os contratos referentes à gestão atual – exatamente o que Rios diz que não acontece.

Do Lixão para a Arena Barradão

O presidente questionou as críticas relacionadas ao projeto da Arena Barradão. De acordo com o dirigente rubro-negro, o sonho antigo da torcida de ser dono de uma arena não pode ser apenas privilégios de clubes do Sul do país. “Começaram a dizer: 'ah, o Vitória pensou numa Arena'. [Cara de espanto] Mas rapaz, que crime. 'Um clube como o Vitória pensar numa Aren...mas é uma ousadia. Isso é coisa para Corinthians, coisa para o Internacional, para o Grêmio, Palmeiras...Vitória? O que é isso?'”, questionou Viana, fazendo alusão às críticas pelo futuro estádio. “Como assim 'o que é isso'? Eu vim aqui pela primeira vez na comitiva para fundar o estádio. Isso aqui era um lixão. Olhe hoje como está. Se você não sonhar um pouquinho na frente, você é sempre pequeno e vai ser sempre pequeno. Se você não levantar as suas vistas para um horizonte um pouco mais distante, você vai ficar atrás de querer ganhar só partida de futebol”, disse. 

Perder o Profut? “Que nada!”

Viana afastou qualquer possibilidade do Vitória perder o benefício do Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut). “Que perder coisa nenhuma. Essa gente parece nem entender a lei do Profut. A lei do Profut fica em cima da minha mesa”, disse ele, apontando para o livro guardado logo à sua esquerda. De acordo com o presidente, o conselho fiscal não possui competência neste âmbito. “O Conselho Fiscal está aí para fiscalizar contas, e não para dizer o que é conveniente ou inconveniente para o clube. E é isso que eles querem, querem governar. Quem deu a eles essa legitimidade?”, questionou. “Quem governa é prefeito e governador, não o tribunal de contas. Eles examinam contas. Se o cara gasta R$ 1 milhão e prestou conta de R$ 600 mil, cadê o comprovante dos R$ 400mil? Aí sim.”

Viana diz que foi a favor de eleições diretas, mas sofreu represália

Questionado sobre a frase dita no ano passado, quando afirmou, no discurso de posse, que seria o último presidente eleito de forma indireta, Raimundo Viana citou a possibilidade de tentar a reeleição e disse que ainda há tempo de cumprir a promessa. “Se eu me reeleger para essa próxima eleição indireta, continuo presidente e ainda posso cumprir minha palavra”, ironizou. Segundo o cartola rubro-negro, ele chegou a apresentar uma proposta que contemplava eleições diretas para todos os cargos no Vitória, mas o texto sofreu represália de conselheiros. “Se o meu projeto tivesse sido aprovado pelos conselheiros, nós hoje teríamos eleições diretas. E não só para Conselho Diretor, para todos os cargos! Fizeram uma campanha para não dar quórum e depois para derrubar meu projeto”. 

“Dois Marinhos, dois Kiezas”

Ao ser perguntado sobre carências no elenco e eventuais erros em contratações na sua gestão, Viana preferiu exaltar o atual plantel de jogadores. “Não vejo quem tenha dois Marinhos, ou dois Kiezas, sincera e honestamente. Não vejo quem tenha dois goleiros melhores que os nossos. O Caíque é uma revelação. Criticaram porque não ficamos com o Gatito. E onde ficaria o Caíque hoje? E o Victor Ramos, que é um bom zagueiro, mas tem aquelas fatalidades”. 

No entanto, ele não deixou de comentar o caso do atacante Dagoberto, contratado em março deste ano, mas que deixou o clube sem marcar um gol sequer. “A gente não podia imaginar que um jogador como Dagoberto, pentacampeão brasileiro, na plenitude da sua forma física, não fosse render. Ele teve um gol anulado, que deve ter interferido no ânimo do rapaz.”, declarou.

Maior legado é salvar o patrimônio do clube, diz Viana

Viana afirmou à reportagem que o maior legado que ele deixaria ao clube como presidente seriam as melhorias feitas no patrimônio do Vitória. “O entorno do Barradão era como uma praia, com uma areia branca. Devia ser para levantar o bronze de algum jogador branco de origem alemã. Mas na verdade aquilo ali era o nome do Vitória para o mundo. Aqui já teve treinamento do Japão, da Alemanha...já imaginou se ainda tivesse aquela feiura?”, disse o presidente.

O presidente citou a reforma nas instalações da sede de remo do clube, localizada na Ribeira e entregue reformada no início do ano. “As instalações do Remo, quando chovia, molhavam mais dentro do que fora. Hoje já há os alojamentos para os atletas e para as atletas, com refeitório, tudo moderno, direito e arrumado. Tudo isso tem um custo. A gente fez isso porque é o Vitória, não para ganhar eleição de vereador, deputado, para ganhar dinheiro...zero, zero”, disse ele, enaltecendo outras aquisições. 

“Hoje o Vitória tem um placar eletrônico com alta resolução, substituindo outro que era alugado. Hoje esse daí é nosso, pago, e isso custa dinheiro. O Vitória pagava para caminhão de lixo para remover o lixo depois dos jogos, porque tinha muito. Era alugado. Hoje o Vitória tem um caminhão próprio. A frota era uma sucata. Hoje ela é nova, com um ônibus que dá até o nome de uma chapa: Vitória Cada Vez Maior”, disse ele, apontando para réplica do veículo colocado bem em frente a sua mesa.  

Presidente promete livro sobre bastidores do clube

Ainda de acordo com o presidente do clube, ele pretende escrever um livro sobre o período como dirigente de futebol. De acordo com Viana, o foco da obra tem como objetivo explorar as suas “andanças com o time na Série B”. No entanto, o cartola afirmou que não vai poupar ninguém. “Desce aeroporto, sobe aeroporto, entra em estádio, sai do estádio, ganha jogo, empata jogo, perde jogo, inquietações de atletas e algumas escaramuças de vestiário, dificuldades de contratações. Esses detalhes todos vão estar no livro com nomes e datas. Tem muita coisa a se dizer”, prometeu.

Rios age com oportunismo eleitoral, diz José Rocha

Em reunião na última terça-feira (25), o Conselho Fiscal do Vitória, liderado por Cristóvão Rios, pediu que os contratos da primeira etapa do projeto da Arena Barradão fossem anulados. No entanto, o presidente do Conselho Deliberativo, José Rocha, considerou que a reunião foi "ilegítima". "É um oportunismo, foi um palanque eleitoral. Ele é um dos candidatos à presidência do Conselho e perde toda a legitimidade por estar fazendo esse tipo de movimento", disse ele à Metrópole.

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