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28 anos de Grito Rubro-Negro: Renato Lavigne comenta trajetória do programa

No final da década de 80, nasceu um marco na história do radialismo esportivo baiano: o Grito Rubro-Negro. O programa comandado há 28 anos pelo radialista Renato Lavigne, torcedor declarado do Vitória, ocupou um espaço nunca antes explorado pelo rádio do estado. Com a missão de trazer exclusivamente notícias sobre o rubro-negro, Lavigne falou sobre a trajetória do programa em entrevista especial ao Metro1. [Leia mais...]

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Foto : Metropress

Por Matheus Simoni no dia 09 de Agosto de 2015 ⋅ 09:30

No final da década de 80, nasceu um marco na história do radialismo esportivo baiano: o Grito Rubro-Negro. O programa comandado há 28 anos pelo radialista Renato Lavigne, torcedor declarado do Vitória, ocupou um espaço nunca antes explorado pelo rádio do estado. Com a missão de trazer exclusivamente notícias sobre o rubro-negro, Lavigne falou sobre a trajetória do programa em entrevista especial ao Metro1.

"O programa começou no dia 12 de março de 1987, ainda na Rádio Cultura da Bahia, quando José Ataíde era diretor da emissora na época e nosso Maurício, que é hoje o técnico da Metrópole. Na época os dois faziam parte da Rádio Cultura. Em 87, já existia um programa do Bahia e era necessário de criar um programa para o Vitória", disse o radialista.

Renato revelou ter encontrado resistência para comandar a atração no período inicial. "Ataíde me deu a ideia e eu corri atrás dos meus patrocínios. Consegui colocar o programa no ar e muitos diziam na época que não davam três meses para acabar o programa por conta da dificuldade que é o Esporte Clube Vitória. Eu topei o desafio e, nessa brincadeira, o programa tem 28 anos de existência direcionada única e exclusivamente ao Vitória. Eu costumo dizer que o Grito Rubro-Negro é o programa oficial do torcedor do Vitória", conta ele. Confira a íntegra da entrevista:

Por que o nome Grito Rubro-Negro?

É muito fácil explicar. Naquela época, pouco se falava do Vitória. Os jogos não eram transmitidos, apenas davam as informações. Só era transmitido o Ba-Vi. A preferência era sempre o Bahia. Era um grito para dizer: "Estou aqui! O Vitória existe". Foi por isso que criei o nome. Justamente para rebater toda essa situação que existia. Mudou muito os níveis de programas voltados para o Vitória. No geral, melhorou e muito. Mário Freitas, na época na Rádio Excelsior e na Rádio Cultura, teve a feliz ideia de transmitir os jogos do Vitória na íntegra nos anos 80 e 90. Passamos a transmitir todos os jogos com cobertura total. Era 90% do Vitória e 10% do Bahia. A preferência era cobrir tanto jogos do Campeonato Baiano, Copa do Nordeste ou Copa do Brasil...onde tivesse jogo do Vitória, transmitíamos na íntegra os 90 minutos. 

Quais foram os nomes mais marcantes que foram entrevistados no programa?

Eu seria leviano se eu não citasse o nome do ex-presidente do Vitória Paulo Carneiro. Entrevistei ele várias vezes. Se o Vitória hoje é o que é, deve-se muito a Paulo Carneiro. Mas, ao mesmo tempo que elogio, eu critico. Ele teve tudo para ser o maior presidente da história do Vitória, amado pelo torcedor, de uma maneira geral, e pela imprensa esportiva. Os pecado de Paulo Carneiro eram a sua arrogância e sua prepotência. Muitas vezes ele até dizia que não precisava de torcedor no estádio. Mas não posso esconder que era um cara que estrevistávamos e tínhamos total repercussão. Eu não posso deixar passar em branco, apesar de ter tido divergências com ele, muitas e muitas vezes, e reconhecer isso. Ele enalteceu e fez com que meu clube crescesse muito. Poderia até, pela sua inteligência e como ele fazia as coisas, ter tudo para dar ao torcedor do Vitória um campeonato brasileiro, a exemplo de 1999. Nem cito 1993, porque pegando o Palmeiras com o time que tinha e com a Parlmalat por trás. Mas em 99, ele poderia ser finalista de um campeonato brasileiro. Ainda teve a Copa do Brasil quando Agnaldo Liz era treinador do Vitória, em 2004. Ele teve patrocínio suficiente para dar ao torcedor um título de campeão brasileiro. 

Em relação aos jogadores de futebol, tive a oportunidade de entrevistar inúmeros jogadores, começando pela divisão de base, como Dida, Vampeta, Paulo Isidório ou o saudoso Alex Alves. Teve também o Petkovic, Bebeto, Túlio Maravilha. Foram jogadores que passaram pelo Vitória e deixaram uma boa impressão, e para o programa Grito Rubro-Negro, boas lembranças. Hoje você não tem craque. O futebol brasileiro é carente de craques, principalmente dentro do Esporte Clube Vitória. Qualquer jogadorzinho da divisão de base se acha. E a coisa não é bem assim.

O que falta ao Vitória atualmente para voltar a dar um orgulho maior ao torcedor?


Falta representatividade. E falta também o Vitória voltar a elite do futebol brasileira e ser ousado suficiente para ganhar um título nacional. Eu digo mais, mudou muita coisa, e para pior. Quando o Vitória caiu novamente para a segunda divisão, na gestão do ex-presidente Carlos Falcão, que renunciou, ele deixou o clube numa situação horrível. Para que o torcedor tenha ideia, o Vitória não vai poder participar da Copa do Nordeste e pode ter que participar da Copa do Brasil como convidado. No momento, o Vitória só tem o Campeonato Brasileiro para disputar e o Campeonato Baiano no ano que vem. Eu espero que seja na primeira divisão. Para ele chegar lá, é necessário ainda reformular o elenco, contratar pelo menos mais três jogadores para que eles possam dar suporte ao treinador Mancini.

Qual o sentimento que você tem quando senta de frente para o microfone para fazer o programa?

Eu me emociono facilmente. Eu sou movido pela emoção. Até hoje eu fico tocado quando abro o programa e tocamos a música de Ivete Sangalo e ouço a mixagem que fizemos com o grito do torcedor por baixo, eu me emociono. Como diz na música "Sorte Grande", ali é o meu espaço. No dia a dia, eu sou 100% Vitória. E não escondo a minha paixão pelo Vitória, e é o programa que eu me sinto bem à vontade e gosto de fazer. Se tem uma coisa que eu gosto de fazer é o programa Grito Rubro-Negro. Eu fico torcendo para que chegue domingo. Até brinco com alguns amigos e torcedores dizendo que 1h30m de programa é muito pouco porque o Vitória cresceu tanto, com tantas modalidades que podemos falar. Mas é um espaço que eu gosto muito. Hoje, muitos da diretoria do Vitória não querem reconhecer o programa Grito Rubro-Negro. Mas eu não me preocupo com eles, e sim com o torcedor. Eu faço o programa para o torcedor do Vitória. Deixando claro, o programa Grito Rubro-Negro não é um programa do Vitória, é um programa exclusivo do torcedor do Vitória. Foi criado há 28 anos quando ninguém queria falar do Vitória. Hoje em dia é muito fácil qualquer emissora de rádio montar uma equipe e dizer: "vamos fazer um programa dedicado ao Vitória". Mas eu considero o Grito Rubro-Negro o programa oficial do torcedor do Vitória.

E o reconhecimento do torcedor? Como você lida com isso?

É gratificante quando ligam para mim. O salário moral de nós da imprensa é o reconhecimento do torcedor. Há cerca de uma semana, eu passei em uma loja de um amigo meu em Cajazeiras e um torcedor do Bahia me parou quando eu estacionei o carro. Ele disse: "Renato Lavigne, eu sou Antonio Vieira. Eu sou torcedor do Bahia e acompanho todo dia o seu programa". Isso para mim é muito gratificante, saber que um torcedor do Bahia fica acompanhando o programa. Muitos tricolores fazem isso. Eu não fico sacaneando o Bahia, de vez em quando eu faço uma outra brincadeira, mas tenho o maior respeito. Fico muito feliz em ser reconhecido pelos torcedores, principalmente pelos torcedores do Vitória. Sincera e honestamente, fico muito feliz colocando o torcedor para falar. Eu costumo dizer o seguinte: eu nunca agradeço a audiência, eu digo que o torcedor do Vitória é fidelizado com o programa e com o Renato Lavigne. E isso pra mim é super gratificante.

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