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Vitória quer jogar na Fonte Nova, mas esbarra em cláusula de contrato da Arena com o Bahia

Em crise financeira, Leão bate de frente com governo e Arena para tentar mandar seus jogos no estádio

[Vitória quer jogar na Fonte Nova, mas esbarra em cláusula de contrato da Arena com o Bahia]
Foto : Divulgação/ECV/Felipe Oliveira

Por Matheus Simoni no dia 22 de Agosto de 2019 ⋅ 11:20

Sem dinheiro e com dificuldades para equilibrar as finanças do clube até o fim da temporada, o Vitória tenta desde o início do ano um acordo com o Governo do Estado e a Arena Fonte Nova para mandar seus jogos no estádio que foi palco da Copa do Mundo 2014. No entanto, após mais de 100 dias de negociações, o impasse continua. O presidente do Vitória, Paulo Carneiro, chegou a acusar o rival, o Bahia, de ter benefícios com o governo.

“Parece que o governo adotou o Bahia como seu único clube na Bahia. Sua agência preferida está dentro do Bahia há anos”, disse o dirigente. À Metrópole, Guilherme Bellintani, presidente do Bahia, rebateu: “Não é colocando inimigos ocultos e forças imaginárias como se a gente quisesse se justificar por isso alguma dificuldade que a gente tenha”, declarou. Diante da demora, o Vitória deu um prazo para que a Arena se manifeste antes do que se encaminha para uma possível judicialização.

Vitória nos mesmos moldes

O Vitória tenta uma readequação nos moldes do acordo que foi feito com o Bahia no passado para jogar na Fonte. Segundo Carneiro, foi firmado um aditivo ao contrato do tricolor em janeiro, com limite de 13 mil sócios para que não sejam pagos R$ 450 mil de despesas
nos jogos.

O mandatário afirma que a medida seria uma retaliação pelo interesse do rubro-negro em jogar na Arena Fonte Nova. “Eles já sabiam que não tínhamos isso de sócios, como não tinham anos atrás”, declarou em áudio nas redes sociais. De acordo com o site do
Leão, o Vitória possui cerca de 11,4 mil torcedores associados.

Posição é de garantir condições iguais aos clubes, diz secretário do governo

Torcedor do Vitória, o secretário estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Davidson Magalhães chegou a se reunir com a diretoria rubro-negra para tentar agilizar a negociação. “Há uma concessão, não cabe discutir os méritos dos contratos da concessionária que ela faz para uso da Fonte Nova. Mas como o Vitória tinha solicitado, fizemos a reunião para abrir um processo de negociação”, declarou.

De acordo com Magalhães, a posição do governo e da secretaria é de garantir o diálogo. “Há argumentos para todos os lados, o melhor caminho é dialogar”, acrescenta. Davidson ressaltou que não há no governo interesse de prejudicar o Vitória. O entrave ainda não
parece que vai ser desfeito.

Arena diz que só poderá garantir "isonomia"

A Arena Fonte Nova se manifestou após a nota divulgada pelo clube nesta semana, onde a agremiação pressiona por uma posição. A concessionária informou, por meio da assessoria, que só poderá fechar contratos nos moldes do atual acordo com o Bahia, “respeitando a isonomia dos que já estão em vigor”. “No entanto, é importante reforçar que, o Vitória não está limitado apenas a formalização de contratos a longo prazo, podendo, sim, realizar jogos esporádicos na Arena, como aconteceu entre os anos de 2013 a 2017”, diz a nota divulgada pelo empreendimento.

Concessionária se diz aberta a negociar

Ainda segundo o texto da Arena, a concessionária se coloca aberta a dialogar com o clube por um acerto. No comunicado, a Arena diz manter total respeito ao clube, que foi o primeiro a assinar contrato com a Arena para mandar seus jogos. O Leão da Barra utilizou o estádio em 2014, 2015, 2016 e 2017, mas encerrou o vínculo em 2018, quando decidiu não renovar a parceria com o estádio. No fim de abril deste ano, após a eleição de Paulo Carneiro, a negociação por um retorno teve início. 

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