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Crise na Bolívia: entenda a onda de protestos que pressiona o governo de Rodrigo Paz
Internacional
Crise na Bolívia: entenda a onda de protestos que pressiona o governo de Rodrigo Paz
Protestos contra governo têm registrado episódios de violência e confrontos diretos entre manifestantes e forças policiais

Foto: Reprodução/ X
A Bolívia tem vivido um momento de tensão nas últimas semanas com a escalada de protestos contra o presidente Rodrigo Paz, que assumiu o cargo há apenas seis meses. A ampliação da agitação no país, que pressionam a renúncia do governo Trumpista e de direita de Paz, tem bloqueado estradas e provocado escassez de alimentos, combustível e suprimentos médicos em todo o país.
Com a interdição de vias em diversos pontos da Bolívia, principalmente na Capital, local mais afetado, os cidadãos estão impossibilitados de sair da região via terrestre. Como o Metro1 mostrou neste sábado (23), o Terminal Rodoviário de La Paz suspendeu as operações para viagens estaduais e para o exterior, "devido à situação atual de transitabilidade”, segundo a entidade. À redação, o terminal informou que o serviço será retomado somente após a suspensão dos bloqueios.
O aeroporto de El Alto, cidade vizinha, tem aparecido como a única alternativa para deixar La Paz, mas apesar de receber voos, as operações também têm sido afetadas com cancelamentos em alguns momentos.
Brasileiros na Bolívia
Os transtornos causados pela onda de protestos têm impactado a vida de brasileiros que estão no país vizinho. O designer Gabriel Medeiros, de 26 anos, chegou a La Paz no dia 5 de maio, onde ficaria três dias. No entanto, com a escalada dos atos, que se iniciaram no início deste mês, ele completa 18 dias na capital boliviana neste sábado.
Em entrevista à BBC, Gabriel revelou que está com recursos financeiros limitados no país e, como o preço dos voos tem aumentado diariamente, alcança valores que ele ele não consegue custear. O brasileiro afirmou que chegou a procurar a embaixada brasileira em La Paz na expectativa de conseguir uma alternativa para sair do país, mas foi informado que a única saída seria comprar uma passagem aérea.
O que diz o Itamaraty
Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) emitiu um alerta recomendando que brasileiros evitem viagens não essenciais aos departamentos de La Paz e Oruro, em razão dos bloqueios de estradas.
"As interdições têm causado interrupções significativas na circulação rodoviária, afetando o acesso a destinos como Salar de Uyuni, Potosí e Copacabana, além de dificultar deslocamentos para e a partir da região de La Paz", diz comunicado divulgado pelo Itamaraty.
Início dos protestos
A crise no país teve início em 1º de maio, quando a Central Operária Boliviana (COB) convocou uma greve geral. Inicialmente o movimento focava em pautas econômicas e sociais - como reajuste salarial de 20%, melhora na qualidade dos combustíveis e revogação de mudanças na legislação fundiária - mas a greve tomou proporções maiores e se transformou em uma onda de protestos que presionam a renúncia do presidente.
A mobilização reúne diversas categorias, incluindo sindicatos de trabalhadores, trabalhadores do transporte e comunidades rurais. Entre as principais demandas, os professores cobram reajustes salariais e maior orçamento para a educação, enquanto o setor de transportes iniciou uma paralisação por tempo indeterminado em protesto contra a falta de combustíveis e as falhas no abastecimento. Paralelamente, movimentos indígenas e camponeses contestam reformas agrárias que, de acordo com eles, beneficiam os grandes proprietários de terras.
Os protestos contra o governo têm registrado episódios de violência física e confrontos diretos entre manifestantes e forças policiais, com maior intensidade em La Paz. Neste sábado (23), as forças de segurança tentaram liberar as vias asfixiadas pelas barreiras para retomar o abastecimento de combustíveis, alimentos e medicamentos. Durante a operação em El Alto e na rodovia que liga a Oruro, policiais utilizaram gás lacrimogêneo para dispersar grupos que tentavam restabelecer os bloqueios. Segundo informações da imprensa internacional, ao menos sete pessoas morreram em três semanas de protestos.
Rodrigo Paz y Evo Morales
O governo Paz afirma que Morales, que governou entre 2006 e 2019, está por trás dos protestos. A informação, no entanto, é negada pelo ex-presidente, que afirma que os protestos são do povo boliviano, não dele. Morales denuncia o governo por usar as Forças Armadas para reprimir a população e critica a criminalização dos atos.
Paralelamente, a Central Operária Boliviana, principal central sindical do país, tem denunciado a detenção de líderes e orienta que a população continue indo manifestando. "Não nos vão curvar na luta que travamos; estão querendo nos calar como liderança com ações populares e processos penais", afirmou Mario Argollo, secretário-executivo da COB, em uma rede social.
O que dizem os manifestantes
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram intensos confrontos entre as forças policiais e a comunidade de manifestantes. Nas ruas, os grupos pressionam a saída do presidente e demonstram insatisfação.
“Não podemos negociar porque já está manchado com sangue esse governo maldito.Se está acontecendo isso, o responsável é o governo. Para eles, nós não existimos, essa clase de pessoas não existe para o governo”, disse um homem em um vídeo divulgado pelo portal La Razón Bolívia divulgado neste sábado (23). O homem fazia parte de um grupo que bloqueava uma rodovia nos entornos de La Paz.
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