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Democracia brasileira em jogo: reeleição de Bolsonaro é vista como ameaça ao país
Especialistas alertam para risco de retrocesso democrático no país se o presidente Jair Bolsonaro, do PL, for reconduzido ao cargo nas eleições do próximo domingo

Foto: Renato Pizzutto/Ascom Band
Reportagem publicada originalmente no Jornal Metropole em 27 de outubro de 2022
Em uma das mais acirradas disputas presidenciais desde a redemocratização, mais de 150 milhões de brasileiros vão às urnas no próximo domingo para definir o futuro da democracia do país. De lados opostos, dois projetos para o Brasil. Um formado por uma frente ampla, que reúne atores políticos de diferentes espectros ideológicos. Do outro lado, uma proposta conservadora que já deu indícios de retrocesso democrático, na avaliação de especialistas do campo da política.
Um dos autores do célebre livro Como as democracias morrem, Steven Levitsky avalia que a democracia no Brasil não será capaz de resistir se o presidente Jair Bolsonaro (PL) for reeleito. “Acho que a democracia brasileira é robusta para sobreviver a isso que passou. Mas, oito anos, não sei. Acho que o Brasil pode perder a democracia”, avaliou Levitsky, que é professor de Harvard.
Na obra escrita em parceria com Daniel Ziblatt, Levitsky alerta que a regressão democrática em outros países também começou nas urnas. Diferentemente de outros tempos, dizem os autores, líderes autocráticos já não suspendem a Constituição ou põem canhões e tanques nas ruas para instalar ditaduras. Agora, a sociedade continua a achar que vive em uma democracia, mas a vê sendo corroída dia após dia. Uma das medidas adotadas pelos governantes autoritários, para se consolidar no poder, é “capturar os árbitros” do jogo, afirmam os pesquisadores.
E como fazem isso? Prendendo, processando ou ampliando a presença de aliados dentro do Poder Judiciário para
controlá-lo. A intenção do presidente Bolsonaro de ampliar o número de integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) é uma das maneiras de “capturar os árbitros”.
Para o advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, o Brasil vai escolher no próximo domingo entre a civilização, representada pelo ex-presidente Lula (PT), e a barbárie de Bolsonaro. “Se o Brasil não der uma resposta no próximo domingo, dia 30, e tirar esse grupo (de Bolsonaro) do poder, o nosso retrocesso civilizatório será brutal. Dificilmente, em pouco tempo, teremos condições de voltar a ter
algum tipo de estabilidade democrática que nos permita tocar a vida. O Brasil não suporta mais quatro anos de Bolsonaro”, afirmou em entrevista à Rádio Metropole.
Também na Metropole, a jornalista Cristina Serra disse que “não se pode dar chance para a extrema-direita”. Na avaliação dela, se Bolsonaro for reconduzido, teremos um processo de autocratização no país.
“Não se precisa dar um golpe militar. Vai ascendendo pela via do voto e vai mudando e pervertendo o aparelho do
Estado por dentro. Ele já fez isso com a Procuradoria-Geral da República, já tem o comando da Câmara dos Deputados, com Arthur Lira. Com a nova configuração que sai agora das urnas, ele também consegue o Senado. Com esse cenário todo, ele conseguirá o Poder Judiciário, que tem sido a grande muralha do avanço do fascismo aqui no Brasil”, analisou.
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