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Conheça os deputados da Bahia campeões em reeleição e que não querem largar o osso
Parlamentares que acumulam mandatos sucessivos na Câmara e na Alba entram novamente no páreo para tentar permanecer no Legislativo por mais quatro anos

Foto: Divulgação
Matéria originalmente publicada no Jornal Metropole de 11 de setembro
Há profissões em que 20, 30 ou 40 anos de carreira são considerados uma eternidade. Na política baiana, podem ser apenas o tempo necessário para descobrir que uma cadeira de parlamentar em Brasília ou Salvador pode ser bastante confortável quando se consegue transformá-la em patrimônio eleitoral.
Na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), uma turma de parlamentares atravessa décadas de eleições sentada no mesmo lugar. E de lá a imensa maioria não pretende sair. Afinal, deputado não tem limite de reeleição, recebe salário alto, tem à disposição estrutura de gabinete, todo tipo de mordomia, de gasolina a aluguel de avião, assessores e uma série de prerrogativas que tornam a atividade política bem mais atraente do que a vida de quem precisa bater ponto.
Comissão de frente
Na Câmara, o campeonato da longevidade é liderado por José Rocha (União Brasil) e Cláudio Cajado (PP), com oito mandatos cada. Os dois chegaram a Brasília em 1995 e atravessaram nada menos que 31 anos de Congresso. Como era de se esperar, Cajado concorre ao nono. Rocha, entretanto, decidiu parar. É uma rara exceção entre os veteranos: não disputará a eleição deste ano e tenta transferir o espólio eleitoral para o filho, Manuel Rocha, deputado estadual pelo União Brasil, e agora candidato a federal.
Logo atrás aparecem Paulo Magalhães e Sérgio Brito, com sete mandatos. Ambos são filiados ao PSD e representam outro traço comum da velha guarda: a capacidade de sobreviver a mudanças de governo, alianças, partidos e conjunturas políticas. Brito, aliás, teve uma carreira parlamentar com interrupções, mas voltou à Câmara e permaneceu no jogo. Magalhães também atravessou diferentes siglas até encontrar abrigo no PSD.
Tropa da longevidade
Com seis mandatos, estão Alice Portugal (PCdoB), Daniel Almeida (PCdoB) e João Leão (PP). Alice e Daniel formam uma dupla longeva do PCdoB baiano, enquanto Leão é outro exemplo da capacidade de adaptação da política profissional: passou por diferentes posições de poder, foi vice-governador duas vezes e agora também decidiu não disputar novamente a Câmara, preferindo preparar a sucessão política familiar, com seu filho, Cacá Leão (PP), de volta ao páreo.
A faixa seguinte reúne João Carlos Bacelar (PL), Márcio Marinho (Republicanos), Antonio Brito (PSD), Arthur Maia (União Brasil), Félix Mendonça Júnior (PDT) e Lídice da Mata (PSB). São quatro ou cinco mandatos, dependendo do parlamentar e do critério utilizado para contabilizar períodos efetivamente exercidos. O ponto em comum é mais interessante que a aritmética: todos transformaram a permanência no Legislativo em carreira de longo prazo. E, onde existe carreira, costuma existir também uma estrutura política montada para mantê-la.
Latifúndio dominado na Alba
Na Assembleia Legislativa, o recorde atual é de Nelson Leal, com sete mandatos consecutivos. Em outro caso raro, Leal também resolveu sair da disputa de 2026, após 28 no Legislativo. Depois de romper com o grupo do governador Jerônimo Rodrigues (PT), aderiu à oposição e assumiu a coordenação da campanha de ACM Neto (União Brasil) ao governo estadual.
Na sequência, vêm José de Arimateia (Republicanos), Roberto Carlos (PV) e Sandro Régis (União Brasil), com seis mandatos cada. Logo abaixo, aparecem Adolfo Menezes (PSD), Euclides Fernandes (PT), Fátima Nunes (PT), Maria del Carmen (PT) e Neusa Cadore (PT), com cinco.
A faixa dos parlamentares com quatro mandatos tem a atual presidente da Alba, Ivana Bastos, mais os petistas Rosemberg Pinto e Zé Raimundo. Fora Leal e Adolfo Meneses, que foi nomeado para o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), todos os demais tentarão se perpetuar na Alba, onde a longevidade não tem ideologia e nem partido.
Há veteranos na direita, no centro e na esquerda e em praticamente todos os partidos de expressão. O que parece importar mais do que a sigla é a capacidade de construir uma rede eleitoral suficientemente forte para sobreviver a quatro anos de mandato e tentar mais quatro.
Vantagem dos veteranos
Existe uma explicação simples para a longevidade de parte dos deputados baianos. É que o parlamentar veterano conhece o caminho das emendas, domina os corredores do poder, mantém prefeitos e vereadores aliados, distribui recursos para suas bases e acumula uma rede que torna cada eleição seguinte um pouco mais previsível.
Há uma diferença entre longevidade política e desempenho parlamentar. Muitos mandatos não significam necessariamente muitos resultados. Mas revelam algo sobre o modelo político: quem consegue entrar no circuito e construir uma máquina eleitoral pode permanecer nele por décadas.
No fim das contas, o eleitor pode até trocar o deputado na urna. O deputado, porém, frequentemente faz o possível para que a cadeira continue sendo dele — ou, quando chega a hora de sair, de alguém da família.
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