Justiça

Violência contra mulheres: juíza alerta para resistência às medidas protetivas

“Para ser homem, não precisa ser violento. [É preciso] entender que, em um relacionamento, ele não decide sozinho”, diz Ana Cláudia Souza

[Violência contra mulheres: juíza alerta para resistência às medidas protetivas]
Foto : Tácio Moreira/Metropress

Por Rodrigo Daniel Silva/Gabriel Nascimento no dia 04 de Outubro de 2018 ⋅ 08:40

A juíza da Vara da Justiça pela Paz em Casa, Ana Cláudia Souza, afirmou que as medidas protetivas para evitar a violência contra a mulher têm tido eficiência, mas ponderou que há resistência dos agressores em segui-las.

“Alguns outros casos que a gente percebe que há uma resistência maior no cumprimento, a gente amplia as medidas. Solicita apoio da Ronda Maria da Penha para garantir a fiscalização. Na Vara, a gente faz audiências regulares, insere esses homens em grupo para reavaliar essa questão da masculinidade. Para ser homem, não precisa ser violento. [É preciso] entender que, em um relacionamento, ele não decide sozinho”, disse, em entrevista à Rádio Metrópole.

Ana Cláudia ressaltou, no entanto, que há um crescimento do número de casos de violência contra a mulher. “O volume de trabalho é grande e, por mais que se faça, a gente sempre fica com a sensação que tem muito a se fazer. A gente acredita que essa conversa persistente sobre violência, a campanha que tem sido feita na mídia, tem estimulado mulheres a denunciar, e a gente acaba vendo mais casos. É um caminho longo mas a gente espera contribuir para que a gente sente aqui e a conversa seja outra. É uma esperança que nos une e nos move”, declarou.

A magistrada salientou o desafio de retirar das mulheres o sentimento de culpa. “A gente sempre trabalha com a mulher nesse sentido. A culpa não foi sua. Precisa se libertar desse sentimento de vergonha. Por mais que a gente veja coisas sobre violência, a mulher se sente só. Quando vem denunciar são anos e anos de violência vivenciada”, afirmou. “É um sentimento comum [de vergonha e de medo] das mulheres. Tem a questão do medo e a dependência emocional”, acrescentou.

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