Justiça

Advogados cobravam propina de 7% para interferir em julgamentos, diz coluna

Percentual da propina consta em decisão do ministro Raul Araújo, do Superior Tribunal de Justiça (STJ)

[Advogados cobravam propina de 7% para interferir em julgamentos, diz coluna]
Foto : Divulgação/ TRT-BA

Por Juliana Almirante no dia 12 de Setembro de 2019 ⋅ 11:43

Os advogados envolvidos em um suposto esquema de venda de sentenças alvo da Operação Injusta Causa, deflagrada ontem (11), cobrariam em torno de 7% de propina sobre o valor da ação para interferir em julgamentos realizados pelo Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (TRT5). 

De acordo com a coluna Satélite do Correio, o percentual da propina consta em decisão do ministro Raul Araújo, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que autorizou a Polícia Federal a cumprir mandados de busca e apreensão contra quatro desembargadores e três advogados.

Segundo as investigações do Ministério Público Federal (MPF), advogados com influência junto a integrantes da Quinta Turma do TRT5, com sede na Bahia, buscavam representantes jurídicos de empresas e de pessoas físicas com decisões desfavoráveis em processos trabalhistas e garantiam alterar votos contrários ou ajustar acórdãos para atender aos seus interesses. Para a permuta, exigiam uma “taxa de êxito”.

Ao solicitar permissão do STJ para deflagrar a Operação Injusta Causa, o MPF alegou ainda ao ministro Raul Araújo dificuldades para obter provas sobre a venda de decisões no TRT5 por meio de interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça.

“É possível observar que os investigados tentam se privar de falar assuntos importantes em ligações usuais, havendo expressa menção ao emprego do aplicativo WhatsApp para comunicação”, disse a PF, em relatório ao Ministério Público sobre o monitoramento telefônico adotado contra suspeitos de participar do esquema. 

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